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Manoela Alcântara

Bolsonaro teve 144 atendimentos médicos antes de ter domiciliar negada

Relatório aponta assistência religiosa e atendimento frequente de advogados. Bolsonaro também recebeu visitas de aliados na Papudinha

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Bolsonaro Foto colorida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília - Metrópoles
1 de 1 Bolsonaro Foto colorida do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília - Metrópoles - Foto: Breno Esaki/Metrópoles

Prestes a completar dois meses na Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 144 atendimentos médicos desde que ingressou na unidade para cumprir pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe.

A informação consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou novo pedido da defesa para concessão de prisão domiciliar humanitária.

Além dos 144 atendimentos, Bolsonaro realizou 13 sessões de fisioterapia e recebeu, até 22 de fevereiro, 36 visitas de terceiros, a maioria de aliados políticos.

O relatório também registra assistência religiosa, com serviços de capelania em quatro dias, além de atendimentos por advogados em 29 dias.

O ex-presidente também poderá realizar, três vezes por semana (às segundas, quartas e sextas-feiras), tratamento de estimulação elétrica craniana (CES). O procedimento tem como objetivo melhorar a qualidade do sono, além de auxiliar no controle da ansiedade, da depressão e de crises de soluço. As sessões serão conduzidas pelo psicólogo Ricardo Caiado.

Moraes negou o segundo pedido de Bolsonaro para deixar a Papudinha, em decisão proferida na tarde de segunda-feira (2/3). Para o ministro, o local de custódia possui plenas condições de receber o ex-presidente.

“Da relação de visitas informadas pela instituição custodiante, podemos verificar que o apenado tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, comprovando a intensa atividade política, o que corrobora os atestados médicos no sentido de sua boa condição de saúde física e mental”, escreveu Moraes.

O ministro ainda citou que a perícia da Polícia Federal (PF) aponta que as comorbidades de Bolsonaro não ensejam a transferência dele para outro regime prisional – prisão domiciliar.

“Diferentemente do alegado pela Defesa, as condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, às necessidades do condenado, com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, assistência religiosa, além de garantir ao réu, em absoluta garantia do princípio da dignidade da pessoa humana, o recebimento de numerosas visitas de familiares, amigos, parentes e aliados políticos”, pontuou Moraes.

Prisão

Bolsonaro está preso e cumpre pena de 27 anos e 3 meses no âmbito do processo sobre a tentativa de golpe, após o esgotamento dos recursos. O ex-presidente já estava submetido a medidas cautelares desde julho do ano passado no âmbito do inquérito que apura tentativa de interferência em processos relacionados à tentativa de golpe – caso em que um de seus filhos, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, virou réu por coação.

Inicialmente custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF), Bolsonaro deixou uma sala da corporação em 15 de janeiro, quando Moraes determinou sua transferência para a Papudinha, onde permanece.

Ele está em uma sala de Estado-Maior. A unidade é administrada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

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