
Manoela AlcântaraColunas

Após vista de Gilmar, Rede pede que Cármen suspenda alterações na Lei da Ficha Limpa
O principal argumento da Rede Sustentabilidade é de insegurança jurídica nas regras para candidaturas das Eleições 2026
atualizado
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Diante do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que parou o julgamento da ação que discute a flexibilização da Lei da Ficha Limpa, o partido Rede Sustentabilidade pediu que a relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, suspenda a flexibilização da Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Congresso Nacional.
O julgamento dos questionamentos da lei ocorria em plenário virtual quando Gilmar pediu vista, nesta quinta-feira (28/5). Com o pedido, que significa mais tempo para análise do caso, o julgamento foi suspenso. O ministro tem 90 dias para devolver o caso ao plenário. Ou seja, até o fim do mês de agosto.
Antes da suspensão, Cármen Lúcia e Luiz Fux tinham votado para derrubar as mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem permitir que políticos condenados retornem às urnas nas eleições de 2026.
Nesta sexta, a Rede, autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 7.881 pediu que Cármen suspensa a eficácia das mudanças na lei até que o julgamento volte a ocorrer no STF. O principal argumento é de que a falta de certeza sobre as regras a serem seguidas por candidatos provocará insegurança jurídica na definição das candidaturas para as Eleições 2026, com o primeiro turno previsto para outubro.
A rede pede para:
- suspender as alterações promovidas pela Lei Complementar n. 219/2025 sobre Lei Complementar n. 64/1990, com a consequente restauração provisória das redações vigentes imediatamente antes da promulgação da Lei Complementar nº. 219/2025.
- se não for possível medida cautelar de suspensão, que determine sessão plenária urgente com apresentação do voto concessivo da medida cautelar requerida devido à urgência demonostrada pela iminência do calendário eleitoral de 2026.
Entre os casos mais emblemáticos dos beneficiados pelas mudanças na lei, estão os do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos), do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) e do ex-governador do DF José Roberto Arruda (PSD). A norma pode produzir efeito cascata pelo país.
Uma das principais alterações na Lei da Ficha Limpa foi a criação do teto de 12 anos de inelegibilidade no caso de sucessivas condenações decorrentes de improbidade administrativa. Esse é um dos trechos que Cármen Lúcia e Fux votaram para derrubar.
A relatora, Cármen Lúcia, disse que as alterações na Lei da Ficha Limpa, realizadas pela Lei Complementar nº 219/2025, “estabelecem cenário de patente retrocesso ao que se tinha estabelecido como instrumento de garantia dos princípios republicanos, da probidade administrativa e da moralidade pública”.