Ala da PF prevê conclusão de PAD contra Eduardo no segundo semestre
Integrantes da corporação avaliam que o resultado do processo pode chegar à mesa do ministro da Justiça até setembro

Uma ala da Polícia Federal (PF) avalia que o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode resultar na demissão do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), por improbidade administrativa, pode ter desfecho entre agosto e setembro deste ano.
O procedimento foi instaurado em setembro do ano passado e apura a atuação de Eduardo nos Estados Unidos em fatos relacionados, segundo a acusação, a possíveis crimes contra a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito.
A percepção dessa ala ganhou força após a publicação do edital de notificação do escrivão. Como mostrou a coluna, a leitura interna é de que o filho do ex-presidente não apresentará defesa, o que deve levar à decretação de revelia no âmbito do PAD.
Com o decurso do prazo do edital, a Corregedoria deverá nomear ainda neste mês um defensor dativo para atuar no processo.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraA partir daí, será aberto prazo para apresentação de defesa escrita. Concluída essa etapa, a comissão da PF deverá elaborar relatório final, opinando pela absolvição ou pela aplicação de penalidade — que, no caso, tende a ser pela demissão.
Eduardo, que ocupa o cargo de escrivão da PF, está afastado preventivamente das funções após acumular faltas e não assumir o posto na delegacia da corporação em Angra dos Reis (RJ). O enquadramento do caso inclui hipótese prevista na legislação que trata das situações passíveis de demissão no serviço público.
Integrantes da corporação avaliam que, superada a fase de defesa dativa, o processo pode avançar rapidamente, o que levaria o caso à mesa do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, entre agosto e setembro.
A avaliação interna é de que o fato de Eduardo estar nos EUA não impede o andamento do PAD. O cronograma só sofreria alteração relevante caso ele decidisse apresentar defesa — hipótese considerada remota por essa ala da PF.
Réu no STF
O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde março do ano passado e afirma que não retornará ao Brasil por se considerar alvo de perseguição política.
No dia 19 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou ação penal contra Eduardo por obstrução de Justiça e coação, tornando-o réu.
Em novembro do ano passado, a Primeira Turma da Corte aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Eduardo teria atuado de forma reiterada para submeter interesses da República a objetivos pessoais e familiares.
Com a abertura da ação penal, o ex-deputado deverá apresentar defesa e indicar testemunhas. Ao fim do processo, os ministros do STF decidirão pela absolvição ou condenação.










