
Manoela AlcântaraColunas

PF avança em processo que pode levar à demissão de Eduardo Bolsonaro
Corregedoria investiga indícios ligados a crimes contra o Estado Democrático por atuação de Eduardo. Ele está afastado preventivamente
atualizado
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A Polícia Federal (PF) notificou, nesta terça-feira (3/3), por edital, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por suspeita de improbidade administrativa.
Escrivão de carreira da PF, Eduardo está nos Estados Unidos desde março do ano passado e encontra-se afastado preventivamente. O procedimento foi instaurado em 8 de setembro de 2025 pela Corregedoria-Geral da corporação e apura indícios de condutas que, segundo avaliação preliminar, podem estar relacionadas a crimes contra a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito.
Em análise inicial, conforme apurou a coluna, a PF avalia que os fatos podem enquadrar o filho do ex-presidente em ato de improbidade — infração disciplinar grave que pode resultar em demissão. A corporação estima que o caso possa ser concluído em prazo de 120 dias.
O edital publicado no Diário Oficial da União (DOU) informa que Eduardo está em “lugar incerto e não sabido”, o que levou à notificação por edital.
A partir da publicação, ele terá prazo de 15 dias para apresentar defesa, sob pena de revelia — quando o processo segue independentemente da manifestação do acusado.
Este é o PAD mais avançado entre os instaurados pela corporação e pode culminar na demissão de Eduardo, conforme apurado pela coluna.
Atualmente, o filho do ex-presidente está afastado das funções por faltas injustificadas, após não assumir posto na delegacia da PF em Angra dos Reis (RJ).
Réu no STF
O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde março do ano passado e afirma que não retornará ao Brasil por se considerar alvo de perseguição política.
No dia 19 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou ação penal contra Eduardo por obstrução de Justiça e coação, tornando-o réu.
Em novembro do ano passado, a Primeira Turma da Corte aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Eduardo teria atuado de forma reiterada para submeter interesses da República a objetivos pessoais e familiares.
Com a abertura da ação penal, o ex-deputado deverá apresentar defesa e indicar testemunhas. Ao fim do processo, os ministros do STF decidirão pela absolvição ou condenação.








