Candidatura de prefeito de Manaus complica Eduardo Braga no Amazonas
Líder do MDB é aliado de David Almeida e de Omar Aziz, que romperam em 2025 e fazem acusações mútuas na disputa pelo governo do Amazonas
atualizado
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O anúncio da pré-candidatura do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao governo do Amazonas aumenta a pressão sobre o senador e ex-governador Eduardo Braga (MDB) para a escolha de um palanque nas eleições de 2026.
O anúncio de Almeida consolida a ruptura na aliança com o senador e pré-candidato ao Palácio Rio Negro, Omar Aziz (PSD), a quem tinha prometido retribuir o apoio neste ano pela eleição municipal de 2024. Braga era uma peça chave nessa composição, já que é um aliado histórico de ambos.
No final de 2025, Almeida passou a dar sinais de que pretendia ele mesmo concorrer ao governo e chegou a dizer que “não devia nada” a Omar Aziz e também fez críticas a Braga, que minimizou o atrito, mantendo-se como aliado do prefeito de Manaus.
Durante o lançamento da pré-campanha na última semana, o prefeito disse que se sentiu “ameaçado” por Omar Aziz. A candidatura foi anunciada após a operação da Polícia Civil contra o núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas que prendeu uma ex-chefe de gabinete de Almeida.
O entorno do prefeito acusa, sem apresentar provas, que Aziz foi o responsável pela prisão. Nessa sexta-feira (27/2), o senador lançou o Plano Estratégico de Desenvolvimento do seu plano de governo, ocasião em que negou as acusações, afirmou que o prefeito teria prevaricado no cargo e disse que processou familiares de Almeida pelas declarações.
Braga esteve ao lado de Omar Aziz durante o lançamento, assim como deputados federais da base.
Quem é Eduardo Braga
- Senador pelo amazonas e líder do MDB;
- Foi governador do Estado de 2003 a 2010;
- Antes, foi eleito deputado federal, vice-prefeito de Manaus e vereador;
- Desde 2011, é senador pelo Estado;
- Foi ministro de Minas e Energia, entre 2015 e 2016, durante o governo de Dilma Rousseff (PT);
- Na atual legislatura, relatou a Reforma Tributária, a reforma do setor elétrico e integra a comissão da CAE sobre o Banco Master.
Imbróglio de Braga
Eduardo Braga se manteve aliado tanto de Almeida quanto de Omar, apesar do rompimeto. No Senado, a dupla integra a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e são dois dos principais articuladores do entorno do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Além de dividirem a bancada, Omar foi vice-governador de Braga entre 2003 e 2010. Ambos tem uma base muito forte no interior do Estado, enquanto Almeida controla a capital, dando a Braga um aliado em Manaus.
Por ora, Braga tem evitado dar declarações públicas sobre que ele vai apoiar na disputa eleitoral. No início de fevereiro, o senador disse que “desde sempre defende a união”, ao ser questionado sobre o rompimento de Omar e Almeida.
A declaração não foi bem vista pelo entorno de Omar Aziz. À reportagem, aliados tem dito que Omar “não tem interesse nenhum” em uma união e que a expectativa é que Braga oficialize o apoio ao colega senador até o início de abril.
O fator Wilson Lima
Como mostrado pelo Metrópoles, a indefinição sobre o futuro do atual governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), deixa em suspenso os planos de Aziz e do prefeito de Manaus na disputa. Isso se dá porque Lima ainda não decidiu se pretende deixar o Palácio Rio Negro até abril, data limite para a descompatibilização, e concorrer ao Senado, ou se prefere ficar no cargo até o fim do mandato.
A leitura que complica a decisão é que se o governador se candidatar ao Senado e deixar o Executivo para o vice-governador, Tadeu de Souza (Avante), David Almeida teria a máquina municipal e a estadual para impulsionar uma eventual candidatura.
Se Wilson Lima, que também rompeu publicamente com Almeida antes mesmo das eleições municipais, decidir permanecer à frente do governo do Amazonas, ele poderia acabar favorecendo Omar Aziz, em detrimento de Davi Almeida.
Ciente desse cenário, Lima segura a decisão até o último momento. O governador disse a interlocutores, até o início deste ano, que não tem pressa em bater o martelo tão cedo.
Nos bastidores, o governador mantém conversas tanto com o Avante de David Almeida quanto com o PL de Jair Bolsonaro, que no passado foi chamado de “parceiro” do governo dele. Ao mesmo tempo, a relação com Omar Aziz é vista como respeitosa, mas sem chances de ter alianças políticas, pois o senador é aliado de Lula.













