Abin Paralela: Moraes encerra investigação contra Bolsonaro e Ramagem
O ministro decidiu arquivar investigados já julgados pelo STF no caso de trama golpista. Caso de Carlos Bolsonaro foi pra 1ª instância

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento das investigações, no caso “Abin Paralela”, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, além de Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues. Para os demais indiciados, como Carlos Bolsonaro, o processo foi enviado à Justiça Federal.
A decisão desta segunda-feira (20/7) ocorre dentro de investigação sobre a chamada “Abin Paralela”, que apurou o uso ilegal do sistema First Mile para monitorar adversários políticos e autoridades,
Moraes considerou que Bolsonaro, Ramagem e outros integrantes de núcleo condenado por trama golpista deveriam ter o caso arquivado porque já foram julgados. Os quatro já tiveram suas penas impostas pela Primeira Turma do STF pelos mesmos fatos nos julgamentos das ações penais relativas à tentativa de golpe de Estado e atos atentatórios ao Estado Democrático de Direito.
Carlos Bolsonaro
No caso de Carlos Bolsonaro e outros indiciados no caso, Moraes determina o declínio de competência por não haver mais autoridades com foro privilegiado envolvidas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraCarlos, filho de Bolsonaro, foi apontado pela Polícia Federal como integrante do “núcleo político” e coordenador do chamado “Gabinete do Ódio”. Agora, o caso será analisado em primeira instância.
Carlos Bolsonaro foi indiciado pelo crime de organização criminosa. Além dele, assessores e outros membros do “núcleo de vetores de produção e propagação de fake news” — como Daniel Ribeiro Lemos e Mateus de Carvalho Sposito — também responderão na 1ª instância.
Falta de provas
A decisão de Moraes também encerra as investigações contra a alta gestão da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).
O ministro determinou o arquivamento por ausência de “justa causa” e a revogação imediata dos indiciamentos de Alessandro Moretti (ex-diretor-adjunto), Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral), Luiz Carlos Nóbrega Nelson, José Fernando Moraes Chuy e Lucio de Andrade Vaz Parente.
Segundo Moraes, as acusações contra esses nomes baseavam-se em “conclusões genéricas” e não apresentaram indícios mínimos de dolo ou conduta criminosa específica que justificasse a continuidade da persecução penal.
O esquema “First Mile”
A investigação da “Abin Paralela” apurou o uso indevido do sistema de inteligência First Mile para monitorar a geolocalização de dispositivos móveis sem autorização judicial.
O esquema teria ocorrido entre 2019 e 2022 para vigiar adversários políticos, jornalistas e ministros do STF, incluindo o próprio Alexandre de Moraes, além de Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso.
De acordo com o relatório da Polícia Federal,na célula clandestina instalada na agência produzia desinformação e utilizava a estrutura do Estado para fins ilícitos e antidemocráticos.
Moraes autorizou ainda o compartilhamento integral das provas colhidas na petição com o Inquérito das Fake News, dada a conexão direta entre a atuação do “Gabinete do Ódio” e as investidas contra o sistema eleitoral e o Judiciário.




