
Lucas PasinColunas

Por que Matheus do BBB 26 não se encaixa no papel de vilão da edição
Com acusações de homofobia e falas calculadas para repercutir, Matheus do BBB 26 tenta cavar título de “vilão” da edição do reality
atualizado
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A casa do BBB 26 segue rendendo debates. Desta vez, durante a última festa, Matheus foi acusado de homofobia por Marcelo após desfilar de forma considerada “muito afeminada” ao mostrar a roupa que usaria. Marcelo, que é gay, se emocionou, chorou e relatou que já passou a vida inteira lidando com imitações dos próprios trejeitos como forma de deboche. A cena repercutiu dentro e fora do jogo.
Com a saída de Pedro, Matheus passou a ser visto por alguns fãs do reality show como antagonista da edição. E ele próprio parece estar ajudado a construir essa imagem. Em outro momento, admitiu que usou a palavra “patroa” ao se referir a Ana Paula para sugerir uma relação de hierarquia com Milena. A ideia, segundo ele, era clara: gerar um “corte” para as redes sociais e ampliar a repercussão.
O assunto foi debatido no programa Ministério da Fofoca, do Metrópoles. O colunista Lucas Pasin analisou o comportamento do participante e tentou separar o que é jogo do que extrapola o entretenimento.
“Nem gostaria que a gente chamasse o Matheus de vilão, porque acho que vilão faz parte do jogo. Acho que vilão está ali para ser o rival do mocinho. A Ana Paula, por exemplo, faz esse papel de vilã e ela abraça isso, se diverte. Embora a considerem protagonista, ela é um pouco de vilã porque enfrenta algumas pessoas dentro da casa. Isso é saudável e faz parte de um reality show”, disse.
Na sequência, Lucas avançou na análise e apontou que existe uma diferença clara entre conflito de jogo e falas que atingem a identidade do outro participante, algo que, segundo ele, foge da proposta do programa.
“O que o Matheus está mostrando com esse comportamento é que a gente não quer ver em um reality show. Não cabe a nenhuma pessoas em nenhum lugar, principalmente em um reality. Quando a gente vê essas fala que ele reproduz lá dentro, é algo que tira um participante do sério não pelo jogo, mas pelo que ele é”, afirmou.
O colunista também comentou o impacto da fala de Matheus sobre Marcelo e destacou o peso simbólico de situações como essa em um programa de grande audiência, que funciona como vitrine para o público.
“Homofobia está em todo lugar mesmo e a gente se sente constrangido. O Marcelo tem que falar, porque ele está em uma vitrine que tem expor o que não é legal. Eles estão sempre contando histórias de batalhas e como merecem estar ali. Isso é super importante. Mas é legal você expor o que não é legal, o que te incomoda e não faz parte do jogo. Homofobia não deve fazer parte de nada, dentro de um reality show muito menos ainda”, completou.
Por fim, Lucas avaliou que o caminho trilhado por Matheus não o coloca exatamente como vilão clássico de reality, mas em uma posição ainda mais incômoda para quem assiste ao programa.
“A gente está caminhando, não para ter um novo vilão. Porque acho que não deveria ser esse o nome dele. Mas para ter uma pessoa que a gente não quer assistir. Esse é o sentimento em relação ao Matheus. Um vilão, eu adoraria assistir, eu adoro os vilões. Mas o Matheus eu não quero assistir, esse Matheus que está fazendo essas coisas não quero na minha televisão. Tenho medo de onde ele pode chegar com essas falas e esses comportamentos”, concluiu.
Leitura política e reação do público
O jornalista Rick Souza, que também participou do Ministério da Fofoca, trouxe uma leitura mais ampla sobre o comportamento de Matheus e sugeriu que as falas podem ir além do confinamento do Big Brother Brasil.
“Não acho que ele tenha esquecido que está sendo filmado. Acho que ele pode estar se preparando para alçar voos maiores. A gente está em um ano eleitoral. Essas falas dele agradam muita gente. É uma triste verdade”, avaliou.
Rick também comentou o perfil do elenco escolhido pela Globo nesta edição e como a emissora se beneficiou da polarização nas redes sociais ao montar o grupo de participantes.
“A Globo esse ano colocou os dois extremos, tem representantes dos dois lados. Eles aproveitaram para anabolizar a repercussão nas redes sociais, colocando a galera bem mais de direita e bem mais de esquerda’, disse.
Ao encerrar, o jornalista foi direto ao tratar das consequências legais e sociais das falas atribuídas a Matheus, sem relativizar o debate.
“Mas, indepentende de lado, o que o Matheus está fazendo é um crime. Homofobia é crima. Não importa se é recreativo ou não. As falas dele são deploráveis. Mas isso não diminui o fato de que, infelizmente, representa uma parcela da população brasileira, que trata homossexuais como chacota. É deplorável falar isso, mas é uma triste verdade”, finalizou.






