Ex-Globeleza, Valéria Valenssa expõe preconceito no Carnaval
Após marcar época como Globeleza, Valéria Valenssa retorna à vinheta e relembra os caminhos que mudaram sua vida dentro e fora do Carnaval

A volta de Valéria Valenssa à vinheta de Carnaval da TV Globo reacendeu um dos símbolos mais conhecidos da folia. Foram mais de dez anos no posto de Globeleza, entre 1990 e 2005, período em que a personagem virou sinônimo de beleza e representatividade na televisão aberta. Agora, ela reaparece ao lado do sambista Jorge Aragão, mais de duas décadas depois de deixar o posto.
Descoberta em 1990 pelo designer Hans Donner (seu ex-marido e pai de seus dois filhos), Valéria passou a representar o Carnaval nas vinhetas da emissora carioca. Na época, aparecia com o corpo coberto por tinta e brilho, em um formato que marcou gerações e virou referência estética da emissora.
Em entrevista exclusiva a este colunista do Metrópoles, a ex-Globeleza relembra como o personagem mudou sua trajetória pessoal e financeira, além de abrir espaço fora do país e dentro do mercado de entretenimento.
“A Globeleza me levou ao mundo. Abriu portas profissionais, culturais e humanas. Me permitiu viajar, representar o Brasil, conhecer pessoas, culturas e oportunidades que eu jamais imaginaria. Ela me deu voz, visibilidade e a chance de transformar minha história em inspiração para outras mulheres. Um dos sonhos mais marcantes foi poder comprar uma casa para o meu pai, isso não tem preço”, disse.
Machismo e exposição
Ao longo dos anos, o debate sobre exposição do corpo feminino no Carnaval ganhou espaço. Questionada sobre experiências pessoais com preconceito, Valéria diz que sua leitura da trajetória foi outra.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Eu sempre fui muito amada e respeitada, e continuo sendo. Se em algum momento isso existiu, nunca percebi dessa forma. Sempre me senti acolhida, protegida e reconhecida pelo meu trabalho e pela minha história”, afirmou.
A mulher no Carnaval
Ela também fala sobre a percepção de respeito à mulher dentro do Carnaval e como enxerga essa mudança ao longo do tempo, a partir da experiência dela dentro e fora da festa.
“Sim, acredito. Ainda existem desafios, mas hoje vemos mulheres ocupando cargos de direção, presidência, criação artística, bateria e harmonia. O respeito acontece quando a mulher deixa de ser apenas vista e passa a ser ouvida. E isso tem avançado”, avaliou.
Muito além do corpo pintado
A imagem da Globeleza sempre esteve associada ao corpo feminino, o que rendeu debates ao longo dos anos. Para Valéria, o sucesso da personagem não se sustentou apenas nisso.
“Será que apenas o corpo sustentaria tudo isso? Eu acredito que não. Ali existia um conjunto: a assinatura do Hans Donner, que sempre trouxe nas aberturas a beleza e a sensualidade da mulher brasileira com arte, estética e conceito. E eu dando vida ao personagem com meu carisma, a dança e o meu estilo de samba, isso criou uma linguagem própria”, avaliou.
Longe do brilho da vinheta
Em 2005, Valéria deixou o posto de Globeleza e, posteriormente, relatou ter enfrentado um quadro de depressão. O tema ainda aparece quando ela revisita aquele período.
“A minha depressão veio a partir de uma perda. Eu não estava preparada para administrar aquela perda e acabei entrando em um universo profundo de tristeza, mesmo tendo tudo ao meu redor. Muitas pessoas não entendem que a depressão não escolhe cenário, ela tira o prazer de viver. E imagina isso acontecendo comigo, que sempre fui sinônimo de alegria”, relatou.
O tempo passou
Questionada sobre o que mudou entre a Globeleza do passado e a mulher que retorna agora à vinheta, Valéria faz um balanço. Para ela, o tempo tratou de reorganizar as prioridades.
“Mudou muita coisa com o tempo, mas o essencial permanece. A minha verdade sempre esteve aqui. O Carnaval fez parte da minha história e da minha trajetória, mas hoje volto mais madura, mais inteira e mais consciente de quem sou, não apenas como imagem, mas como mulher, com história e propósito”, concluiu Valéria.

















