
Leo DiasColunas

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Após sobreviver a cinco paredões, Arthur Picoli não resistiu à berlinda dessa terça-feira (28/4) e acabou sendo eliminado com 61,34% dos votos, contrariando as pesquisas e aqueles que diziam “ele mudou”. O fato é que Picoli teve uma trajetória problemática dentro do reality, mas a pergunta que fica é: por que o público perdoava com tanta facilidade os erros do crossfiteiro?
A coluna conversou com Thamiris Dias, psicóloga e especialista em saúde da mulher pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que explica a importância de se enxergar o programa com um reflexo da sociedade.
“O programa reflete o que acontece nela e precisamos falar sobre as questões dos privilégios e de alguns marcadores, como raça, classe e gênero. Tanto na mídia quanto no nosso cotidiano, homens brancos são privilegiados. Aquela expressão que a gente, às vezes, costuma usar de “passar pano” — apesar de não gostar muito dela — seria uma forma de dizer que perdoa comportamentos abusivos”, completa.
Segundo a especialista, nós, enquanto sociedade, que é opressora e preconceituosa, acabamos perdoando comportamentos como o do professor de crossfit, com a justificativa de que falta maturidade ou, até mesmo, que a pessoa não fez por mal. Ainda que essa forma de agir, vez ou outra, se repita.
“Percebe-se que a gente não perdoa assim, por exemplo, mulheres ou homens negros, como aconteceu com João, que saiu cancelado. Enquanto sociedade, não perdoamos essas pessoas. Como está acontecendo com a Camilla e aconteceu com Karol Conká”, pontua.
“Por que a sociedade perdoa esses homens e não consegue perdoar mulheres? Não consegue perdoar homens pretos, mulheres pretas? Justamente pelos privilégios que existem em ser um homem branco e hétero. Você tem um ‘respaldo’ de poder fazer aquilo que quiser porque as pessoas vão perdoar e vão esquecer e justificar seus erros de uma maneira muito mais permissiva”, completa.














