Novo tempo: Globo se rende à web e libera Cauã para tour no YouTube
Com dificuldades para alavancar audiência de Um Lugar ao Sol, emissora autoriza participação de protagonistas em entrevistas na plataforma

Empenhada em relançar a novela das 21h, Um Lugar ao Sol, a TV Globo tem flexibilizado bastante regras historicamente rígidas, que dizem respeito a liberação de contratados da casa para participação em entrevistas e programas em veículos e plataformas que não têm ligação com o grupo de mídia mais poderoso do país. Protagonista da trama escrita por Lícia Manzo, o ator Cauã Reymond gravou esta semana com Matheus Mazzafera, para o canal do apresentador no YouTube. Antes, o intérprete dos gêmeos Christian e Renato já havia conversado com LeoDias, no canal do Metrópoles na plataforma.
Fosse em épocas passadas, o ator principal da trama das 21h jamais poderia conversar, em vídeo, com algum veículo que não tivesse ligações com o Grupo Globo. Agora, diante da baixa audiência alcançada até aqui pela (ótima) novela, a coisa mudou de figura.
Não faz muito tempo, a presença de um astro global em programas da concorrência era tratada como um evento. Em atrações de outras redes, os próprios comunicadores precisavam agradecer à Globo pela liberação de seus artistas, gesto raríssimo em grande parte da história da emissora carioca. Hebe Camargo, que sempre foi muito respeitada pela líder de audiência, não escondia a satisfação e um certo deslumbramento quando tinha globais em seu sofá, por exemplo. Uma gracinha!
Mesmo quando o assunto não era TV, a Globo mantinha seus contratados sob rédea curta. Em entrevistas para jornais e emissoras de rádio, se houvesse a intenção de produzir ou exibir conteúdos em vídeo, não eram raros os casos em que a autorização era negada. Para evitar que as concorrentes tirassem proveito do elenco estelar, responsável pelos maiores picos de audiência da televisão no país, o canal dos Marinho guardava os talentos a sete chaves. Atores e atrizes contratados sofriam quando precisavam divulgar peças de teatro e não encontravam espaço na programação da emissora. Impedidos de falar “em casa” ou nas “rivais”, como fazer a propaganda das produções chegar ao grande público?
A propaganda, aliás, foi motivo de um exposed da Globo, feito por Jô Soares, no fim dos anos 80. Depois de trocar o canal pelo SBT, o humorista e apresentador desabafou durante a edição de 1988 do Troféu Imprensa. Em tom de desabafo, Jô revelou que o anúncio de seu espetáculo teatral havia sido banido pelos dirigentes globais e acusou a antiga emissora de boicotar a exibição de campanhas publicitárias estreladas por artistas da concorrência.
Na lógica da exclusividade, dominante no período, a Globo não queria colocar azeitona na empada de ninguém…
A mudança da Globo não é aleatória. Os contratos de exclusividade são raríssimos. O elenco, antes gigantesco, vem sendo enxugado. Com a explosão das redes sociais, o público já sabe que não precisa ligar a TV numa determinada emissora para ver seus ídolos; afinal, todos estão a apenas alguns cliques de distância. Além disso, o cenário atual apresenta uma concorrência cada vez mais forte. Se não de outras emissoras de televisão, do YouTube, do TikTok e das plataformas de streaming. Ainda líder de audiência, a Globo demonstra estar sensível aos novos tempos, em que, ao contrário do que acontecia no passado, parece não se bastar. Agora, para ser vista e ouvida, a emissora precisa ocupar outros espaços.
Agora, não basta mais ser apenas a líder de audiência.
Veja a entrevista que Cauã Reymond concedeu a Leo Dias:
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