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Artistas fazem campanha por liberdade de produtor: “Não há qualquer prova”

"Foi preso porque é preto", falou Jonathan Haagensen em entrevista para a coluna

atualizado 09/10/2020 21:51

Reprodução

Diversos artistas têm se mobilizado na campanha #liberdadeprogugu pela libertação do produtor de eventos Gustavo Nobre. Ele está preso desde o dia 3 de setembro, após ter sido acusado de roubar um carro no Rio de Janeiro, em 2014, e a vítima afirmar tê-lo reconhecido por uma foto nas redes sociais. Nessa quinta-feira (8/10), a Justiça do Rio negou a liminar que solicitava sua soltura.

“Isso é triste, vergonhoso, desumano porque não há qualquer prova de que o Gustavo fez algo. Foi preso porque é preto e precisavam dar uma solução rápida para o caso. Vivemos em um país racista mesmo. Realidade que causa revolta”, falou Jonathan Haagensen em entrevista para a coluna. Além dele, outros artistas já se manifestaram sobre a prisão considerada injusta, como Fernanda Paes Leme, Jonathan Azevedo, Bruno Gissoni e Marcello Melo Jr.

Para Jonathan, a condenação de Gustavo apenas por causa do reconhecimento de uma foto na internet é mais um caso de racismo. “É revoltante essa perseguição com o preto. O que me livra de passar por isso é só o rosto conhecido que eu tenho. Aliás, eu passo por isso ainda, sinto o racismo na pele, e não vão até as vias de fato comigo quando me ‘reconhecem’”, afirmou o ator.

Família desesperada

A família de Gustavo aponta que, na época, ele se recuperava de uma cirurgia no pulmão e não teria como conduzir a motocicleta que foi utilizada pelos assaltantes. “Eu estou com meu coração dilacerado porque meu filho foi condenado e preso injustamente. Nós somos uma família do bem, trabalhadora. Eu peço justiça, porque o meu filho não merece isso. Eu não aguento mais esse sofrimento”, disse a mãe de Gustavo, Elcy Leopoldina.

“Fui preso injustamente, nem sei o que dizer… Dá até um nó na garganta. A Justiça no Brasil, não tem como entender. É tanto preconceito, já não tem pra onde correr. Fico muito indignado, minha raça tem um álbum. Meu coração e minha mente seguem tranquilos. Paciência é uma virtude. Eu sou luz na escuridão”, escreveu Gustavo, que está no Presídio Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

Segundo a defesa, uma sucessão de erros o levou à condenação. Nenhuma imagem de câmeras de segurança foi colhida, a foto que a vítima diz ter visto de Gustavo ao lado de um suspeito não está na denúncia e a Justiça encerrou o caso com o reconhecimento de duas pessoas, sendo que o assalto foi cometido por seis. O caso não cabe mais recurso e a advogada Clarissa Oliveira tenta o julgamento da revisão do processo.

O texto a favor de Gustavo que vem sendo compartilhado pelos artistas nas redes sociais diz o seguinte:

“Grande parte dos erros judiciários, exatamente como no caso do Gustavo, acontecem por conta de reconhecimento errado. É preciso rever urgentemente essa forma de produção de prova que leva a tantos erros na justiça criminal. Sabemos que o Gustavo é inocente e que é uma pessoa muito amada por todos que o conhecem. Por meio deste post, gostaríamos de pedir que esforços não sejam poupados para que a Justiça reverta esse erro. Um único dia preso injustamente é uma vida inteira, especialmente, para quem leva uma vida correta.”

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