ONU menciona caso do menino Miguel como exemplo de "racismo sistêmico"
Garoto que morreu ao cair do 9º andar de prédio da patroa da mãe é citado como exemplo de que certas populações são vulneráveis na pandemia

Em um documento produzido pelo Grupo de Trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Pessoas de Ascendência Africana, o caso do menino Miguel Otávio, de 5 anos, que caiu do 9º andar de um prédio de luxo no dia 2 de junho, em Recife (PE), foi citado como um exemplo de racismo sistêmico na pandemia. As informações são do jornalista Jamil Chade do portal UOL.
No documento, o caso brasileiro é mencionado como uma demonstração de que certas populações são vulneráveis durante a pandemia e que a situação das empregadas domésticas no país é exemplo disso.
“No Brasil, as trabalhadoras domésticas são considerados essenciais. Escolas e creches foram fechadas, por isso Miguel acompanhou sua mãe, Mirtes Santana, ao trabalho”, diz o Grupo de Trabalho da ONU.
No momento da queda de Miguel, Mirtes passeava com a cadela da família dos patrões. A criança estava sob os cuidados da primeira-dama de Tamandaré, Sarí Corte Real. De acordo com as investigações, Sarí deixou o menino sozinho em um elevador do condomínio onde mora. Ele foi até ao 9º andar, deixou o elevador, subiu em um parapeito e caiu.
O texto também ressalta: “Em todo o mundo, falhas em avaliar e mitigar riscos associados à pandemia e ao racismo sistêmico levaram a fatalidades”.
O governo poderá dar uma resposta nesta quarta-feira (30/9) , durante o debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU que irá tratar do tema.
Outras menções ao Brasil
O Brasil também é mencionado sobre as operações militares nas favelas. De acordo com o documento, nos últimos três meses houve um crescimento de 36% nas mortes por policiais. “Brasileiros de ascendência africana se queixam de impunidade e a falta de recursos”, declara o Grupo de Trabalho sobre Pessoas de Ascendência Africana.

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