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“Merece todas as homenagens”, diz filha de Jofran Frejat durante velório

O piauiense de Floriano foi vítima de um câncer de pulmão, diagnosticado enquanto realizava tratamento para cálculo renal.

atualizado 24/11/2020 19:41

Igo Estrela/Metrópoles

Familiares, amigos, personalidades políticas e admiradores se reuniram na tarde desta terça-feira (24/11), no Cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, para dar o último adeus a Jofran Frejat, 83 anos. O piauiense de Floriano foi vítima de um câncer de pulmão, diagnosticado enquanto realizava tratamento para cálculo renal. Cerca de 300 pessoas participaram da última homenagem ao ex-secretário de Saúde do Distrito Federal.

Após o velório, o corpo seguiu para o Crematório Jardim Metropolitano, em Valparaíso (GO), para ser cremado. A cerimônia foi reservada apenas para familiares. O político deixa a esposa e quatro filhos, uma do último casamento, com Denise Frejat.

Em nome da família, a filha Graziela Frejat homenageou o pai pelo companheirismo e pela criação exemplar. “Ele foi tudo para mim: conselheiro, amigo, protetor, meu herói. Ele merece todas as homenagens do mundo”, disse, emocionada.

Muito comovida, a sobrinha do ex-secretário de Saúde do DF Adélia Frejat também falou do legado deixado pelo tio. “Quem andar por Brasília vai ver obra dele. A Saúde do DF quem fez foi Frejat. O legado dele sempre foi olhar para quem precisava. O que nos consola é essa imagem de homem competente. Ele vai, mas a gente fica de cabeça erguida porque sabe tudo o que ele fez por nossa cidade”, disse.

O vice-governador do DF, Paco Britto (Avante), destacou a habilidade de Frejat em transitar bem em todos os campos da política brasiliense. “Frejat é um ícone, uma pessoa respeitada pela situação e por qualquer oposição. Ele não é apenas um exemplo de homem público, é um exemplo pela trajetória de vida como um todo”.

Também presente no velório, o ex-governador José Roberto Arruda (PL) exaltou as qualidades de Frejat.  “Eu era engenheiro e ele, secretário de Saúde. Construímos vários hospitais e centros de saúde. Também éramos vizinhos na Vila Planalto e nossas casas separadas por uma cerca. Ele deixa um legado incalculável. A política de Brasília fica mais triste e mais pobre”, destacou.

Vania Buenos, servidora aposentada da Regional do Gama, relembrou a revolução na pasta da Saúde durante a gestão de Frejat. “Estou aposentada há dois anos e nunca mais teremos um nome como ele. Ele sempre foi um grande defensor da nossa rede pública, do SUS”.

 

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“Quando eu soube da notícia, só veio meu pai [Joaquim Roriz] na cabeça. Frejat foi o cara da saúde em Brasília. A história dele se confunde com a do meu pai e de uma maneira muito gratificante”, disse Jaqueline Roriz, ex-deputada federal e filha de Roriz. “O Frejat era quase um tio para mim, cresci com ele dentro da casa do meu avô naquelas reuniões do governo. Dói para nós saber que mais uma pessoa que meu avô tinha tanta admiração se vai. É o ciclo da vida, mas a tristeza é grande”, disse Joaquim Roriz Neto.

Para a ex-candidata a vice na chapa de Frejat de 2014 ao Palácio do Buriti, a hoje deputada federal Flávia Arruda (PL), a história do correligionário é marcada pelo respeito às diferenças de opiniões. “Num momento tão difícil como este, a gente vê manifestação de todos os lugares, o que o mostra que Frejat fez amigos por onde passou. É respeitado por todos, independentemente de ideologia política, por ser alguém que deixou a sua marca”, afirmou.

Já o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM), que disputou as eleições majoritárias de 2018, lembrou que o ex-secretário de Saúde encerrou seu ciclo político com integridade. “Frejat só não foi governador, hoje, porque não quis. Ele não abriu mão das próprias convicções para ser candidato e acabou desistindo. Só por isso, merece meu total respeito”, destacou.

Também presente nas homenagens fúnebres, o senador Izalci Lucas (PSDB) lembrou das qualidades do médico-cirurgião que se dedicou à vida pública. “Frejat sempre teve retidão, sempre olhou para o próximo. Na rede pública de saúde, tudo o que a gente tem ainda na cidade de forma organizada é graças a ele. Vai fazer muita falta”.

Luto de três dias

Ainda nessa segunda-feira (23/11), o Governo do Distrito Federal (GDF) decretou luto oficial de três dias na capital federal. “Jofran Frejat é um exemplo que eu segui e espero continuar seguindo na vida pública. Para mim, sempre foi um modelo de político”, declarou o comandante do Palácio do Buriti, Ibaneis Rocha (MDB).

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Na nota, Ibaneis relembrou o caráter de Frejat. “Nos deixa um grande cidadão, que fez sua história pautado na ética e na atenção aos que mais precisavam. Que a família receba os meus pêsames e o meu carinho”, manifestou, completando que “sua dedicação fez do Distrito Federal uma referência no tratamento da saúde pública. Foi deputado federal atuante, constituinte, enfim, um homem que dedicou sua vida ao serviço público”.

Assim como o atual governador do DF, ex-chefes do Executivo local também expressaram condolências. Agnelo Queiroz, Cristovam Buarque, José Roberto Arruda, Rodrigo Rollemberg e Rogério Rosso foram os chefes do Executivo no passado que lamentaram o falecimento de Frejat.

Colega de parlamento, com quem dividiu a Câmara dos Deputados ao longo da década de 1990, o atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi o último a manifestar seu pesar. Em nota, afirma “imenso orgulho ter tido Jofran como colega no Congresso Nacional”, a quem via como alguém “muito preparado e atuante”. “Nesse momento de imensa dor, me solidarizo com todos que sofrem com a sua partida, especialmente seus familiares e amigos. Que Deus, em sua infinita bondade, possa confortar o coração de todos”, concluiu.

Confira, na íntegra, a nota de pesar enviada por Ronaldo Caiado.

Foi com imensa tristeza que eu e minha esposa, Gracinha Caiado, recebemos a notícia do falecimento do meu amigo e ex-colega de parlamento, Jofran Frejat, nesta segunda-feira (23/11), em decorrência de complicações causadas por um câncer de pulmão.

Jofran, que também era médico, foi deputado federal por cinco mandatos. Atuou como secretário de Saúde do Distrito Federal em quatro oportunidades. Deixa um grande legado consubstanciado na ética, no elevado espírito público e no comprometimento com as causas maiores da sociedade.

Foi um imenso orgulho ter tido Jofran como colega no Congresso Nacional. Era um parlamentar muito preparado e atuante, do qual certamente a população do DF se orgulhava de tê-lo como representante.

Nesse momento de imensa dor, me solidarizo com todos que sofrem com a sua partida, especialmente seus familiares e amigos. Que Deus, em sua infinita bondade, possa confortar o coração de todos.

Ronaldo Caiado
Governador de Goiás

História

Médico-cirurgião; eleito deputado federal cinco vezes; ex-secretário de Saúde do DF, nos governos de Joaquim Roriz, Frejat tinha extenso currículo na política do Distrito Federal. Como ressaltou Ibaneis, tinha atuação enfática na área da saúde, sendo ávido defensor do Sistema Único de Saúde (SUS). Formou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1962, mesmo ano que veio para Brasília.

Na recém-inaugurada capital, trabalhou primeiro no antigo Hospital Regional da Asa Sul até ser nomeado diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal na administrações de Hélio Prates da Silveira e Elmo Serejo Farias. Nas eleições de 2014 e quando ainda era pré-candidato, em 2018, Jofran Frejat defendeu com afinco o retorno da Fundação Hospitalar do Distrito Federal, da qual foi diretor do Conselho Deliberativo, em 1979.

Após seus cinco mandatos como deputado federal, fazendo de Frejat o recordista no DF, chegou ao segundo turno na corrida pelo Palácio do Buriti em 2014, contra o então candidato Rodrigo Rollemberg (PSB), mas perdeu com 44,44% dos votos válidos. Em 2018, colocou-se como pré-candidato ao cargo, mas desistiu por alegar motivos pessoais.

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