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Ex-secretário do DF após mensagem da CPI: “Nunca fugi da intimação”

Relatos aos titulares indicaram que o Senado tentou intimar Francisco Araújo, sem sucesso. Ele foi visto deixando prédio com malas

atualizado 14/08/2021 23:02

secretário de Saúde do DF, Francisco AraújoIgo Estrela/Metrópoles

Ex-secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo afirmou, neste sábado (14/8), que não despistou representantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 para evitar ser convocado para depor na próxima terça-feira (17/8). A declaração contraria versão dada a senadores.

Mensagens internas do colegiado reveladas pelo Metrópoles indicaram que o ex-titular da pasta distrital não havia sido encontrado na residência dele por uma funcionária terceirizada da CPI, na última quinta-feira (12). Testemunhas relataram à Polícia Legislativa, que também esteve no local, que ele teria “saído com malas” após a tentativa da intimação.

“Eu nunca despistei ninguém da CPI, nem sequer sabia que poderia ser intimado pessoalmente para depor. Tive autorização judicial para viajar e ficar com meus dois filhos, em Manaus. Emiti a passagem no dia 03 de agosto, para embarcar na noite de quinta (12/8), quando passei o dia fora de casa e voltei apenas para buscar minhas bagagens para ver meus gêmeos. Uma viagem dessa não de decide de uma hora para outra”, afirmou à coluna Janela Indiscreta.

Segundo Araújo, o deslocamento foi deferido pela 12ª Seção Judiciária do Distrito Federal, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e poderia ser marcado dentro do prazo de 12 de agosto a 22 de agosto, que é a data prevista para o retorno à Brasília. A testemunha também afirmou que foi informado da convocação por um e-mail com data posterior à da decisão judicial vigente.

Convocação para CPI

A decisão da CPI de convocar o ex-secretário ocorreu na última quarta-feira (11). A comissão quer detalhar como foi a participação da Precisa Medicamentos, também alvo das investigações, na compra de 150 mil testes de Covid-19 a um valor de quase R$ 21 milhões.

A suspeita é de que a compra tenha sido superfaturada, visto que a marca dos kits entregues ainda no ano passado para a Secretaria de Saúde foram diferentes dos acordados em contratos.

O requerimento de convocação foi aprovado a pedido do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), mas assinado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que é titular da comissão.

Entenda

Uma mensagem encaminhada a senadores reforçou que a Polícia do Senado teria ido até a residência do próximo depoente, onde foi dito, a princípio, que Francisco Araújo já estaria em viagem. Após a encarregada de entregar o documento deixar o local, os policiais legislativos foram informados por testemunhas de que o ex-gestor teria, na verdade, sido visto no local após a comitiva deixar o endereço.

“Logo depois que a terceirizada que iria entregar o ofício saiu, informaram à polícia que ele saiu com malas acompanhado de um outro homem e não voltou mais”, diz a mensagem obtida pelo Metrópoles.

Responsável pela defesa do ex-secretário, o advogado Cleber Lopes já havia informado sobre a decisão judicial anterior para respaldar a ausência de Francisco Araújo a Manaus. Por ser réu na Justiça Federal, o ex-gestor tem os passos monitorados e necessita de autorização para deixar Brasília.

“É isso o que aconteceu: ele viajou devidamente autorizado e, coincidentemente, houve intimação para a CPI. Ele já explicou e está aguardando deliberação”, disse Lopes.

Habeas corpus

Francisco Araújo e outros auxiliares chegaram a ser presos pela Operação Falso Negativo enquanto ainda comandavam a pasta por possível superfaturamento de testes de Covid-19. O caso tramita sob sigilo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Após o relato de policiais, os senadores que integram a comissão ainda avaliam confirmar a oitiva de Francisco Araújo para a próxima semana. Uma das possibilidades seria a condução coercitiva, prevista na legislação.

A defesa do ex-gestor, contudo, entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), também nessa sexta, pedindo para que Francisco não seja obrigado a comparecer à CPI ou, se tiver de ir, que possa ficar em silêncio. Ainda não houve decisão sobre o pedido.

“Qual é lógica de levar alguém para depor, se pode chegar lá e ficar calado? Não tem sentido movimentar a estrutura do Senado, se tem o direito constitucional de não falar nada. Ele já é réu na Justiça pelos mesmos fatos e vai se defender em juízo”, completou Cleber Lopes.

Colaborou Isadora Teixeira

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