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Ex-secretário do DF “saiu com malas” para não ser intimado a depor, diz CPI

Comunicado a senadores indica que Francisco Araújo saiu da residência após representantes da comissão deixarem o local com notificação

atualizado 14/08/2021 7:37

secretário de Saúde do DF, Francisco AraújoRafaela Felicciano/Metrópoles

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 informou a senadores, nessa sexta-feira (13/8), que o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco Araújo teria despistado uma funcionária terceirizada do Senado Federal para não ser intimado a depor na próxima terça-feira (17/8).

O relato foi encaminhado aos parlamentares após a ida de representantes da CPI até o endereço do ex-titular da pasta distrital, realizada na última quinta-feira (12/8). Francisco reside no Noroeste, bairro de classe média alta de Brasília.

O comunicado reforçou que a Polícia do Senado teria ido até a residência do próximo depoente, onde foi dito, a princípio, que Francisco Araújo já estaria em viagem para Manaus (AM). Após a encarregada de entregar o documento deixar o local, os policiais legislativos foram informados por testemunhas de que o ex-gestor teria, na verdade, despistado a notificação.

“Logo depois que a terceirizada que iria entregar o ofício saiu, informaram à polícia que ele saiu com malas acompanhado de um outro homem e não voltou mais”, diz a mensagem obtida pelo Metrópoles.

Responsável pela defesa do ex-secretário, o advogado Cleber Lopes não confirmou o episódio, mas informou que já havia conseguido decisão judicial anterior para respaldar a viagem de Francisco Araújo a Manaus. Por ser réu na Justiça Federal, o ex-gestor tem os passos monitorados.

“É isso o que aconteceu: ele viajou devidamente autorizado e, coincidentemente, houve intimação para a CPI. Ele já explicou e está aguardando deliberação”, disse Lopes.

Habeas corpus

Francisco Araújo e outros auxiliares chegaram a ser presos pela Operação Falso Negativo enquanto ainda comandavam a pasta por possível superfaturamento de testes de Covid-19. O caso tramita sob sigilo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Após o relato de policiais, os senadores que integram a comissão ainda avaliam confirmar a oitiva de Francisco Araújo para a próxima semana. Uma das possibilidades seria a condução coercitiva, prevista na legislação. A convocação foi a pedido do senador Izalci Lucas (PSDB).

A defesa do ex-gestor, contudo, entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), também nessa sexta, pedindo para que Francisco não seja obrigado a comparecer à CPI ou, se tiver de ir, que possa ficar em silêncio. Ainda não houve decisão sobre o pedido.

“Qual é lógica de levar alguém para depor, se pode chegar lá e ficar calado? Não tem sentido movimentar a estrutura do Senado, se tem o direito constitucional de não falar nada. Ele já é réu na Justiça pelos mesmos fatos e vai se defender em juízo”, completou Cleber Lopes.

Colaborou Isadora Teixeira

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