
Ilca Maria EstevãoColunas

Saiba quais figurinos concorrem ao Oscar 2026 neste domingo (15/3)
A categoria de Melhor Figurino no Oscar reconhece o vestuário como ferramenta narrativa, indo além da estética
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Além de performances de tirar o fôlego e momentos emocionantes, a cerimônia do Oscar também reserva, todos os anos, um espaço especial para celebrar a moda no cinema. A 98ª edição da premiação acontece neste domingo (15/3), em Los Angeles, nos Estados Unidos, e inclui entre suas categorias a de Melhor Figurino. Por meio dela, o prêmio reconhece o vestuário como uma importante linguagem narrativa, destacando produções que unem técnica, estética e pesquisa histórica. Em 2026, os indicados vão de figurinos fantasiosos e de época a visuais inspirados em gângsters e tribos.
Vem conferir!

A categoria
A cada edição do Oscar, apaixonados por cinema e por moda aguardam a premiação de Melhor Figurino, que elege as melhores produções de roupas e vestimentas apresentados pelos filmes que se destacaram ao longo do ano. Criada em 1948, a categoria era inicialmente dividida em duas: Melhor Figurino em Filme Preto e Branco e Melhor Figurino em Filme Colorido.
Os indicados deste ano são: Frankenstein, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, Marty Supreme, Pecadores e Avatar: Fogo e Cinzas.

Frankenstein
No longa-metragem dirigido por Guillermo del Toro, a grande responsável pelos figurinos é a parceira de longa data do diretor: Kate Hawley. Na trama, além do embate entre Victor Frankenstein e sua Criatura, a marcante Elizabeth Harlander se tornou uma peça-chave para o enredo. A personagem é um dos grandes destaques do filme por seus visuais exuberantes, com detalhes narrativos intrínsecos ao desenrolar da trama.


A padronagem dos vestidos usados por Elizabeth – que é interpretada por Mia Goth – se assemelha a aparência de besouros, fazendo alusão ao seu fascínio por insetos e pela natureza. Outros looks da personagem incluem referências à Noiva de Frankenstein (1935) e resgatam peças vintage do arquivo da Tiffany.



Outro destaque do longa, é a aparência monstruosa da Criatura, interpretada por Jacob Elordi. Apesar de sua natureza, del Toro guiou a caracterização do personagem para revelar, também, um lado capaz de inspirar empatia.
Para construir o look completo eram necessárias cerca de dez horas diárias na cadeira de maquiagem, em um processo que envolvia a aplicação de 42 próteses para dar forma ao monstro. Feito que rendeu uma indicação à Melhor Maquiagem e Penteado no Oscar 2026.

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Filmes de época têm o figurino como importante instrumento de reconhecimento e pertencimento. Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, os visuais usados por Jessie Buckley e Paul Mescal vão além disso, servindo como símbolos narrativos que dão profundidade à história da família de William Shakespeare.

O figurino, assinado por Malgosia Turzanska, traduz em cores, cortes e designs temas como luto, arte, amor e pobreza. Ambientado no fim do século 16, Hamnet mostra a desigualdade social da Inglaterra durante a peste bubônica, e os visuais retratam com maestria o cenário de desesperança, com paletas acinzentadas e sujas.


No meio de todo o caos, o vermelho e o laranja do visual usado por Agnes, esposa de Shakespeare, mostra um respiro apaixonado. Rebelde e aventureira, a personagem usa a peça por quase todo o filme, mas a chegada de infortúnios fazem o tom alegre ser sobreposto por cores apagadas e foscas. Aos poucos, Agnes se camufla com o ambiente de tristeza.

Marty Supreme
Em Marty Supreme, os figurinos de Miyako Bellizzi situam o espectador na Nova York dos anos 1950. Inspirados pelos gângsters e outras figuras de poder da época, os trajes refletem a personalidade confiante, ousada e ambiciosa do protagonista Marty Mauser.


Foi necessária uma equipe de cinquenta pessoas para confeccionar os figurinos do zero, baseados em referências da década de 1950 do bairro americano Lower East Side. A figurinista Miyako Bellizzi trabalhou com ternos com modelagem quadrada e ombreiras volumosas para retratar o caráter do protagonista.
Pecadores
Muita gente foi ao cinema assistir a Pecadores sem saber do que o filme se tratava, e a surpresa é responsável pelo fenômeno que a produção se tornou. Parte dessa construção se deve ao figurino assinado por Ruth E. Carter, que começa retratando um ambiente já conhecido nos anos 1930 — o interior do sul norte-americano — e se transforma em um cenário digno de filme de terror.


A moda feita à mão garante verossimilhança à época e ao cenário. Os figurinos misturam looks de festa com o de trabalhadores do campo, o que seriam opostos na teoria, mas se unem em uma grande festa em Pecadores. Carter afirma que grande parte dos visuais tiveram inspirações em pinturas da época, já que as fotografias eram limitadas em questão de cores e texturas.
Avatar: Fogo e Cinzas
O filme Avatar: Fogo e Cinzas conta com a profissional Deborah Scott no departamento de figurino. Para ela, foi fundamental evidenciar visualmente as diferentes comunidades que habitam o universo do longa. Essa distinção se constrói, sobretudo, a partir das paletas de cores atribuídas a cada grupo, que transitam entre tons terrosos, quentes e a ampla variação de azuis.

Materiais como penas, folhas e couro rústico foram usados para criar capas e vestimentas para os personagens, enfeitadas com padronagens e arabescos. Apesar do grande uso de CGI no filme, a riqueza em detalhes e o realismo dos figurinos e da direção de arte aproximam o espectador da trama.
Acompanhe os looks do tapete vermelho
A cerimônia do Oscar acontece neste domingo (15/3), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na premiação, a coluna Ilca Maria Estevão irá participar da transmissão ao vivo do Metrópoles para comentar os melhores looks do tapete vermelho. Fique ligado!
























































