
Ilca Maria EstevãoColunas

Del Toro reinventa Frankenstein com beleza sombria e looks simbólicos
A versão cinematográfica do romance Frankenstein, dirigida por Guillermo del Toro, utiliza os figurinos como parte do storytelling da trama
atualizado
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A nova adaptação de Frankenstein, dirigida por Guillermo del Toro, chegou ao streaming e já conquista elogios pela atmosfera visual arrebatadora. Fotografia, direção de arte, maquiagem e figurinos se unem para reinventar o clássico de Mary Shelley, destacando a profundidade emocional da Criatura interpretada por Jacob Elordi, a sensibilidade estética de Elizabeth e a complexidade sombria de Victor Frankenstein. A produção expande o universo do romance original ao explorar simbolismos cromáticos, conexões visuais entre personagens e uma construção de mundo que eleva o terror gótico a um patamar poético e contemporâneo.
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A Criatura
Interpretada pelo ator Jacob Elordi, a Criatura é resultado dos experimentos científicos de Victor Frankenstein. O estudioso reúne diferentes partes de corpos mutilados durante a Guerra da Crimeia para criar um ser perfeito, que desafiasse o conceito da morte — tópico empírico da personalidade de Frankenstein.



Apesar da aparência monstruosa, o diretor Guillermo del Toro guiou a caracterização do personagem para revelar, também, um lado capaz de inspirar empatia. Para construir o look completo da Criatura, eram necessárias cerca de dez horas diárias na cadeira de maquiagem, em um processo que envolvia a aplicação de 42 próteses para dar forma ao monstro.
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Parceira de longa data de del Toro, Kate Hawley foi a profissional responsável pela criação das roupas que dão o tom ao filme Frankenstein. A figurinista usou o figurino como uma ferramenta narrativa, entrelaçando visualmente a Criatura com a personagem Elizabeth Harlander — interpretada por Mia Goth.


A personagem demonstra fascínio por insetos e pela natureza, interesses compartilhados pela Criatura, que inicialmente se comporta de maneira semelhante a um recém-nascido e possui uma curiosidade infantil por tudo que a cerca.


No primeiro contato de Elizabeth com a Criatura, o figurino conta com camadas que vão sendo removidas, como um véu translúcido e um par de luvas, revelando o que estava oculto em seu interior. A personagem traz ainda uma faixa roxa no look, ao redor do pescoço. O diretor do longa, Guillermo del Toro, revelou que Elizabeth é a única personagem vista usando essa cor além da Criatura, conectando-os visualmente.


Victor Frankenstein
O cientista que dá forma à trama do romance escrito por Mary Shelley ganha novas camadas na versão cinematográfica de Guillermo del Toro. Victor Frankenstein possui um figurino inspirado no estilo dândi — caracterizado por uma atitude de requinte, criatividade e, por vezes, irreverência — com um toque da estética punk.


Grandes nomes da música, como Mick Jagger e David Bowie, também serviram de referência para a construção do guarda-roupa do protagonista. Entre os elementos que se destacam nos looks de Frankenstein está o par de luvas vermelhas, frequentemente visto ao longo da trama. Na web, circulam teorias de que a tonalidade simboliza o sangue nas mãos de Victor, considerando todo o processo necessário para dar vida à Criatura.

Entretanto, a cor vermelha faz uma analogia direta à mãe de Victor, a baronesa Claire Frankenstein. Vista apenas nos primeiros minutos do filme, a personagem usa looks em um tom vermelho vibrante, que faz o público conectá-la à cor posteriormente. Em grande parte da trama, Victor aparece com lenços, sobretudos ou luvas da mesma tonalidade, em alusão ao tormento causado pela perda da mãe ainda na juventude. O acontecimento funciona como fio condutor para todo o restante da narrativa.


Confira mais looks do filme:















