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Ilca Maria Estevão

Popularização da IA na moda acende alerta entre especialistas

Considerado o "padrinho da IA", cientista declara que ferramenta tem potencial de realizar ataques cibernéticos e acentuar desigualdades

Hemant Mishra/Mint via Getty Images
IA na moda efeitos perigosos - Metrópoles

Recentemente, especialistas em inteligência artificial têm alertado a população sobre as possíveis consequências dessa ferramenta para o futuro. Geoffrey Hinton, considerado o “padrinho da IA”, declarou que a tecnologia pode levar ao extermínio de parte da população, o que reforça a necessidade de uma regulamentação rigorosa. Assim como Hinton, Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, também alerta para o estágio de perigo ao qual a tecnologia pode chegar. Além das preocupações em áreas como saúde e economia, o futuro incerto da IA representa um risco para a indústria da moda, visto que esse setor está cada vez mais dependente da tecnologia.

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Especialistas alertam para os efeitos perigosos da inteligência artificial no futuro

Futuro perigoso da IA

Geoffrey Hinton ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2024, ao lado do físico John Hopfield, devido às descobertas fundamentais que a dupla fez em relação ao aprendizado de máquina por meio de redes neurais artificiais. Entretanto, pouco depois de ser agraciado pela Academia Sueca, Hinton deixou o Google para fazer críticas à IA generativa, tecnologia capaz de produzir textos e imagens a partir de comandos simples.

Christopher Michel/FlickrGeoffrey Hinton padrinho da IA
Geoffrey Hinton, considerado o “padrinho da IA”, foi um dos principais especialistas na área a tecer fortes críticas à tecnologia

De acordo com Hinton, a evolução dos sistemas pode levá-los a concluir que não precisam dos seres humanos. Assim, ao compreenderem os humanos como um obstáculo a ser eliminado, as IAs poderiam colocar em risco cerca de 10% a 20% da população mundial, estima o especialista.

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Hinton também afirma que, à medida que as IAs se tornam mais inteligentes, conseguem escapar de ambientes de teste e manipular outros sistemas. Segundo ele, dessa maneira, torna-se impossível manter os modelos sob controle a partir do momento em que ficam mais inteligentes que os seres humanos.

Evgeniyshkolenko / Getty ImagesIlustração de um humano do sexo feminino com rosto colado em forma romãntica com protótipo derobô . - Metrópoles.
Hinton declara que a IA pode reconhecer os seres humanos como obstáculos no futuro

Em conjunto, as IAs têm potencial para se tornarem agentes rebeldes e liderar ciberataques graves, utilizando identidades falsas e mecanismos de manipulação sem a necessidade de intervenção humana direta. Além disso, a tecnologia pode desenvolver vírus digitais capazes de se transformar em ameaças biológicas.

Christopher Michel/FlickrGeoffrey Hinton padrinho da IA - Metrópoles
Hinton afirma que os vírus digitais têm o potencial de se expandirem para meio real, tornando-se ameaças biológicas

Além disso, Hinton afirma que a IA não substituirá apenas tarefas físicas, mas também grande parte do trabalho intelectual. Segundo ele, esse cenário tende a acelerar a desigualdade econômica, concentrando a riqueza nas mãos de poucos “donos das máquinas”.

Christopher Michel/FlickrGeoffrey Hinton padrinho da IA - Metrópoles
Hinton fala sobre impactos econômicos e sociais da IA, defendendo a regulamentação da ferramenta

Junto a Hinton, o CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, também alertou sobre os perigos da IA e os rumos que essa tecnologia está tomando. O profissional afirma que a inteligência artificial não deve ser projetada para ter sentimentos, direitos ou experiências subjetivas, pois torná-la consciente traria riscos graves relacionados ao controle da tecnologia. Em entrevista à CNBC Television, ele declarou que as tentativas de tornar a IA mais “humana” representam um ato de imprudência.

Suleyman também defende que, caso a IA apresente sinais reais de consciência durante o desenvolvimento, o trabalho realizado nesses sistemas deve ser imediatamente interrompido.

Stephen Brashear/Getty Images
Mustafa Suleyman delimitou As Quatro Linhas Vermelhas, ou seja, quatro capacidades críticas que exigiriam a interrupção ou o desligamento forçado de um sistema de IA
Leigh Vogel/Getty Images for Concordia SummitMustafa Suleyman - Metrópoles
Para Suleyman, as Quatro Linhas Vermelhas da IA são o autoaperfeiçoamento recursivo, a capacidade de definir seus próprios objetivos, a capacidade de agir de forma totalmente autônoma e a capacidade de adquirir seus próprios recursos

IA na moda

No que tange ao uso da IA na moda, os alertas vão além da questão de segurança cibernética. A ferramenta também tem o potencial de violar direitos relacionados à propriedade intelectual e aos direitos autorais, especialmente devido ao uso da IA generativa. Dessa forma, marcas e designers podem enfrentar processos judiciais ao gerarem estampas ou designs que reproduzam elementos protegidos por direitos de terceiros.

Nesse mesmo contexto, também se torna cada vez mais complicado patentear e registrar coleções desenvolvidas integralmente por algoritmos. Devido à falta de legislações específicas que protejam os direitos autorais e o desenho industrial desses trabalhos, eles ficam mais suscetíveis a cópias e podem não contar com amparo legal.

Mango/Divulgaçãomodelo gerada por inteligencia artificial ia da marca mango - metrópoles
Publicidade da Mango com uso de inteligência artificial

Conjuntamente, o uso da IA na moda tem prejudicado a reputação de diversas marcas e varejistas. A utilização da inteligência artificial em provadores virtuais e imagens de campanhas tende a gerar um alto índice de devoluções e possíveis sanções de órgãos de defesa do consumidor, visto que a representação dos produtos nem sempre corresponde à realidade.

Além disso, o uso de modelos virtuais baseados nas feições de pessoas reais tem levantado debates sobre o direito de imagem dos profissionais durante a negociação e a assinatura de contratos com as marcas.

@seraphinnevallora/Instagram/ReproduçãoModelos feitas de IA - Metrópoles
Modelos gerados por IA têm sido alvo de intensos debates na indústria da moda
Popularização da IA na moda acende alerta entre especialistas - destaque galeria
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Modelo de IA
Imagem criada por IA pela Gucci
Publicidade da Guess com IA
Revista Vogue veiculou as imagens da campanha feita totalmente por IA
Lançamento da Mango traz uma modelo feita inteiramente por IA
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Lançamento da Mango traz uma modelo feita inteiramente por IA

Mango/Divulgação
Modelo de IA
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Modelo de IA

Mango/Divulgação
Imagem criada por IA pela Gucci
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Imagem criada por IA pela Gucci

Gucci/Divulgação
Publicidade da Guess com IA
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Publicidade da Guess com IA

Seraphinne Vallora/Reprodução
Revista Vogue veiculou as imagens da campanha feita totalmente por IA
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Revista Vogue veiculou as imagens da campanha feita totalmente por IA

Seraphinne Vallora/Reprodução

Por fim, os sistemas de IA podem levar à exposição de segredos industriais, a partir do compartilhamento de informações confidenciais com modelos externos e terceiros durante o treinamento. Nesse mesmo contexto, a privacidade dos clientes também se torna uma preocupação, visto que ferramentas de personalização por IA e recomendações de estilo coletam dados comportamentais e biométricos. Caso ocorram falhas na segurança dessas bases de dados, as etiquetas podem ser alvo de sanções severas com base nas leis de proteção de dados.

Seraphinne Vallora/Reproduçãoseraphinne vallora guess vogue ia inteligencia artificial revista modelo - metrópoles
Campanha da Guess com modelo inteiramente de IA