Moda e psicologia: o impacto do vestuário na mente humana
O papel das roupas na psicologia humana pode ser explicado por conceitos como a cognição vestida e a Teoria da Identidade Social

A relação entre moda e saúde mental é uma temática que vem sendo cada vez mais explorada nos últimos anos. Abordagens já consolidadas na psicologia e novos termos têm sido usados para explicar os fenômenos dessa relação, tornando-a cada vez mais complexa. Um dos conceitos que melhor explica esse fato é o Enclothed Cognition, traduzido como cognição vestida, que contempla a ideia de que vestir certas roupas consegue afetar a maneira de pensar e agir das pessoas. Além dele, a Teoria da Identidade Social e a Teoria das Cores também são utilizadas para explicar o vestuário enquanto uma ferramenta da psicologia.
Vem comigo entender!

A cognição vestida
A Enclothed Cognition, traduzida como cognição vestida, é um termo formulado pelos pesquisadores Hajo Adam e Adam D. Galinsky, que defende que as roupas afetam diretamente processos cognitivos, atitudes, emoções e o desempenho mental de quem as veste. A teoria faz parte da gama de conceitos da psicologia que argumentam que a mente humana não é desconexa do corpo, ou seja, o cérebro não funciona apenas para o processamento de dados.

De acordo com os autores, para que a cognição vestida ocorra, é necessário a junção de dois fatores: o significado simbólico da roupa e a experiência física de usá-la. O primeiro diz respeito ao valor cultural que a peça adquire na sociedade. Roupas como jalecos médicos, por exemplo, remetem à ideia de ciência e atenção; ternos são relacionados com autoridade; e roupas esportivas contemplam ideia de disposição física.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesConjuntamente, a experiência física diz respeito ao fato de a pessoa usar efetivamente a peça, ou seja, não basta apenas olhar, é preciso sentir o tecido na pele.

Para formular a teoria, os pesquisadores realizaram um experimento com jalecos brancos. Eles dividiram os participantes em três grupos: para o primeiro, relataram que a peça se tratava de um jaleco médico; para o segundo afirmaram que era um jaleco de pintor; e os terceiros ficaram apenas observando a peça. O resultado mostrou que o grupo com os “jalecos de médico” teve um desempenho muito superior em teste de atenção seletiva, além de ter cometido menos erros que os outros dois grupos.

No cotidiano, alguns dos exemplos em que a cognição vestida é aplicada são em trabalhos remotos, em que trocar o pijama por roupas casuais aumenta os níveis de foco e reduz a sonolência; ao usar roupas de ginástica para ativar uma mentalidade de movimento e disciplina física; e utilizar peças e acessórios formais para aumentar a sensação de poder interpessoal.
Assim, a cognição vestida revela uma relação entre o ato de vestir com o mundo e com os objetivos pessoais. Indo nessa mesma ideia, o fenômeno também entende que se vestir sem propósito funciona como uma forma de autossabotagem irracional para não atingir os objetivos desejados.

Teoria da Identidade Social e a Teoria das Cores
Unem-se ao conceito da cognição vestida a Teoria da Identidade Social, a Teoria das Cores, e o conceito de âncora psicológica. Esse último descreve uma técnica da psicologia para criar gatilhos mentais que ativam sentimentos, pensamentos e estados emocionais.
Já a Teoria da Identidade Social, formulada pelos psicólogos Henri Tajfel e John Turner, diz respeito ao desejo de um indivíduo de se enquadrar ao grupo social em que está inserido, dessa forma, ele acaba desenvolvendo características e desejos semelhantes aos demais.
A premissa fundamental dessa teoria é que atribuímos valor a nós mesmos a partir dos grupos que pertencemos: o país, a profissão, o time de futebol, a religião e até mesmo o partido político. Dessa forma, as escolhas de roupas também recebem a influência dessas comunidades.

Já a Teoria das Cores, mesmo não tendo relação direta com a psicologia, traz o estudo sobre as relações harmônicas e os sentimentos despertados pelas cores. Ela pode explicar por que pessoas com depressão e ansiedade social tendem a escolher roupas mais fechadas, folgadas e de cores neutras, e também o surgimento de estéticas como o dopamine dressing, marcada pela escolha de roupas maximalistas e coloridas.
A relação entre autoestima e as cores
A psicologia também propõe explicações sobre a escolha de certas cores e os sentimentos dos indivíduos. Psicólogos explicam que pessoas com baixa autoestima tendem a optar por cores que podem passar despercebidas, evitando chamar a atenção.
Os profissionais identificam que cores como preto, cinza, azul-escuro, bege e tons terrosos opacos costumam estar relacionados a essas pessoas.

Entretanto, essa relação não é automática. O significado é construído a partir do contexto emocional e da repetição das escolhas dos indivíduos.














