
Misci transforma Copa em manifesto de brasilidade com coleção-cápsula
À coluna, Airon Martin detalha coleção-cápsula da Misci inspirada em símbolos da cultura brasileira e do futebol

Enquanto milhões de brasileiros voltam os olhos para o confronto entre Brasil e Noruega, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, a moda também encontra no futebol um espaço para discutir identidade, pertencimento e cultura. A Misci, etiqueta de Airon Martin, lançou uma coleção-cápsula inspirada no Mundial que revisita os símbolos nacionais sob uma ótica contemporânea, sofisticada e carregada de significado.
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Celebração da brasilidade
Longe de uma interpretação literal do uniforme da torcida, a coleção combina polos de tricô, conjuntos de tweed e alfaiataria com referências ao universo esportivo, propondo uma reflexão sobre o que significa vestir o Brasil para além dos 90 minutos de uma partida.

Um dos principais elementos da cápsula é a frase “Mátria Brasil”, estampada nas costas das polos. O conceito, que surgiu anteriormente na coleção EVA, retorna justamente em um momento em que o sentimento patriótico ganha força durante a Copa.
“Tem um verso do hino que diz ‘dos filhos deste solo és mãe gentil’. Eu sempre pensei: se o Brasil fosse mesmo essa mãe gentil, uma mátria, talvez fosse um país melhor e mais acolhedor com sua gente”, explica Airon Martin. “Quis usar esse momento para lembrar que o Brasil que a gente ama torcer não existe sem essas mulheres. ‘Mátria Brasil’ nas costas das polos é um jeito de celebrar o país lembrando de quem constrói ele por dentro.”

Para o diretor criativo, a proposta reforça uma narrativa construída pela Misci desde suas primeiras coleções: olhar para o Brasil sem abrir mão de símbolos populares, mas ressignificando-os por meio da moda de luxo.

Identidade e pertencimento
Na cápsula da Copa, verde, amarelo e azul aparecem ao lado de tecidos tradicionalmente associados à alfaiataria, enquanto bonés, polos e referências ao fotojornalismo esportivo do século 20 dialogam com modelagens amplas e acabamentos refinados.
“A gente sempre trabalhou com símbolos fortes do Brasil, como a Amazônia e o Carnaval, sem medo de que eles virassem clichê, porque a forma como a gente trabalha esses símbolos muda a narrativa”, afirma. “Pegamos o verde, o amarelo e o azul, os bonés, as camisas, elementos que qualquer brasileiro reconhece na hora, e colocamos em composições inesperadas. Essa camada de sofisticação e intenção é o que dá outra dimensão para símbolos populares.”

Segundo Airon, a intenção também é ampliar a percepção sobre a própria brasilidade, frequentemente associada apenas a datas específicas.
“Nosso sonho não termina em fevereiro. A brasilidade que a Misci propõe é a mesma o ano inteiro, no Carnaval, na Copa, em qualquer dia, só que raramente ela é vista com essa lente de classe e profundidade”, diz.

Na véspera de um jogo decisivo para a Seleção Brasileira, o estilista também ressalta que a coleção procura celebrar um sentimento coletivo que vai além do resultado em campo.
“Torcer pelo Brasil é sempre maior do que o placar. É um sentimento coletivo que atravessa gerações e une gente muito diferente em volta de uma mesma cor, de uma mesma bandeira”, afirma. “O resultado em campo a gente não controla. O sentimento de pertencimento, de torcida, de comunidade, a gente pode reafirmar todo ano, com ou sem taça. É esse orgulho que eu quero que as pessoas vistam.”

Esse diálogo entre esporte e moda é justamente o que reforça a identidade da marca. Na campanha, redes de gol, troféus e medalhas dividem espaço com ternos verdes de alfaiataria e conjuntos de tweed, aproximando dois universos que, para Airon, sempre fizeram parte da mesma paisagem brasileira.
“Esse contraste é a assinatura da Misci: pegar algo popular e visceral do dia a dia do brasileiro, como o futebol, e colocar em diálogo com uma alfaiataria de alto padrão”, explica. “O povo e a sofisticação, o estádio e a passarela, sempre estiveram no mesmo país. É esse Brasil, cheio de textura e contraste, que eu quero seguir vestindo.”

Assim, às vésperas de mais um capítulo da Seleção na Copa, a Misci propõe uma forma diferente de vestir as cores nacionais: menos como uniforme de ocasião e mais como uma expressão permanente da diversidade, da cultura e da complexidade que compõem o Brasil.














