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Ilca Maria Estevão

Geração Z transforma adesivos de acne em tendência de beleza

De adesivo de espinha à pele sem retoque: por que a geração Z está trocando a beleza-correção pela beleza-economia

@rhode/Instagram/Reprodução
Geração Z transforma adesivos de acne em tendência de beleza

Não faz muito tempo que esconder uma espinha era o objetivo. Hoje, colar um adesivo colorido bem no meio da bochecha virou statement. A julgar pela quantidade de formatos, marcas e colaborações disponíveis, escolher seu patch de acne se tornou tão expressivo quanto escolher um brinco. A tendência é sintomática e demonstra um fenômeno recente chamado de “Gen Z Glow Down”.

Vem entender!

Os patches são febre entre a geração Z

A febre do adesivo de espinha

A origem desses adesivos lúdicos é mais antiga do que parece. A lógica por trás do patch é um material hidrocoloide que absorve secreções e vem direto dos curativos médicos usados em ferimentos – tecnologia com raízes que remontam ao século 17, embora aplicada então a outros tipos de lesão.

A versão pensada especificamente para espinhas nasceu na Coreia do Sul e chegou ao mercado americano em 2012, por meio do e-commerce de K-beauty SokoGlam, em formato pequeno e translúcido.

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Angel Santana/Getty Images
Adesivos se tornaram acessórios

Tudo mudou em 2019, quando a marca Starface fez uma verdadeira transformação estética, usando o mesmo material hidrocoloide em estrelas amarelas e lúdicas. A combinação de três fatores criou a tempestade perfeita para o sucesso da marca: o movimento mais amplo de skin positivity, a cultura de autoexpressão das redes sociais, e a visibilidade de celebridades como Justin Bieber e North West circulando com os adesivos estampados no rosto.

As opções são inúmeras

Atualmente, as estrelas da Starface vêm em diversas cores, incluindo versões holográficas e que brilham no escuro. A marca também já coleciona colaborações de peso: com a Glossier, ao menos cinco parcerias com a Sanrio e uma colaboração com a Marc Jacobs Heaven.

Outras marcas do mesmo universo, como Peaceout Skincare e ZitSticka, elevaram a régua tecnológica com patches de microagulhas que realizam um microagulhamento para tratar espinhas mais profundas antes mesmo de aparecerem na superfície.

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Celebridades aderiram ao visual
As estrelas são as mais famosas
Diversas marcas oferecem o produto
Os adesivos são acessíveis
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As estrelas são as mais famosas
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O fenômeno “Glow Down”

A febre dos adesivos de espinha ajuda a explicar o Glow Down e vice-versa: os dois nascem da mesma virada geracional em relação ao ideal de perfeição. Por anos, a beleza foi tratada como um projeto de correção e como prioridade para muitos.

Os millennials cresceram sob a lógica do procedimento e do remédio certo para cada imperfeição. Já a geração Z, apesar de ter herdado esse roteiro, não tem mais como bancá-lo.

Millennials são a geração que mais aposta em procedimentos estéticos

Glow down é a inversão de glow up – expressão que, popularizada pelo rapper Chief Keef em 2013, descreve uma transformação pessoal para melhor, geralmente ligada à aparência. O oposto, então, é uma espécie de retrocesso estético, que parece estar sendo vivenciado por uma geração inteira, motivado não por escolha estética, mas por restrição econômica.

DisobeyArt/Getty Images
Jovens têm trocado altos investimentos em beleza por experiências e vida social

Ocupando um lugar desconfortável no mapa geracional, a geração Z mais velha está entre os millennials e a geração Alpha, que já cresce consumindo Sephora ainda na infância. Esse grupo segue sendo o principal motor das tendências virais, mas enfrenta dificuldades específicas de sua faixa etária: dificuldade de crescimento profissional e salários que não acompanham o custo de vida. O resultado não é o abandono da beleza, mas uma reavaliação de prioridades dentro dela.

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Produtos de luxo não são mais prioridade
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Produtos de farmácia mais baratos e "dupes" têm sido sucesso de vendas
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Jeffrey Greenberg/Universal Images Group via Getty Images
Produtos de luxo não são mais prioridade
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A variedade de produtos baratos é imensa
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A variedade de produtos baratos é imensa

O Gen Z Glow Down não significa deixar de se cuidar, mas cortar gastos seletivamente. Em vez de manter uma rotina completa (cabelo, skincare, maquiagem, bronzeamento, depilação, unhas), a lógica agora é escolher batalhas. Nela, produtos e procedimentos de luxo tornam-se cada vez mais inacessíveis e, justamente por isso, menos desejados.

Carol Yepes/Getty Images
Rotina completa de beleza deixa de fazer sentido para muitos

Esse movimento não acontece isolado. Ele é parte de uma virada mais ampla na forma como a beleza vem sendo consumida e narrada. O valor simbólico está se deslocando: da perfeição para a autenticidade, do investimento pesado para a solução inteligente, da vergonha para o bom-humor. O Glow Down é, nesse sentido, um reposicionamento de valores: a beleza como prática sustentável — financeira e emocionalmente — em vez de vitrine de consumo ininterrupto.

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Skincare jovem