
Ilca Maria EstevãoColunas

Grifes fogem do minimalismo e atualizam logomarcas rebuscadas
Casas de luxo como Dior e Burberry abandonam o minimalismo padronizado das últimas décadas e resgatam logotipos clássicos
atualizado
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A indústria da moda vive um “reset” tipográfico, em que o tão popular minimalismo nas logos, que dominaram as grifes nos últimos anos, passa a ser deixado para trás em prol de logomarcas e tipos com ilustrações rebuscadas e fontes fora de padrões. O movimento das grandes casas de luxo acontece em um momento de negação ao minimalismo, que é visto também nas passarelas.
Vem entender!

Um dos movimentos mais impactantes dessa mudança é liderado por Jonathan Anderson, o recém-nomeado diretor criativo da Dior. Anderson iniciou sua gestão abandonando o icônico logotipo “DIOR” em caixa alta, que a maison usava desde 2018. No lugar, o designer resgatou uma tipografia histórica: uma letra “D” maiúscula seguida por letras minúsculas, assim como foi instaurado por Christian Dior em 1946. O resgate já é encontrado nas etiquetas e bordados da coleção masculina de primavera/verão 2026, a primeira assinada por Anderson.
Reintroduzir o logotipo antigo conecta a atualidade da casa à sua história icônica, diretamente ligada ao estilo e finèsse parisiense. Onde as letras maiúsculas haviam imposto uma forma de neutralidade internacional, esta fonte reintroduz fôlego e personalidade. A mudança tem a modéstia de um detalhe, mas o impacto de um manifesto. Anderson busca mostrar que o futuro da casa Dior é construído sobre a continuidade de sua história.

Confira o desfile de primavera/verão 2026 da Dior, já com as mudanças implementadas por Jonathan Anderson:
A tendência do minimalismo nas logos
O movimento da Dior representa uma quebra da era conhecida como “blandification” (um misto das palavras branding e blend). Ao longo da última década, a indústria da moda de luxo investiu nos logotipos simplificados, caracterizados por letras maiúsculas, retas, sóbrias e lineares. Marcas como Dior, Burberry, Saint Laurent, Celine, Balenciaga, Calvin Klein, Fendi, Zegna e Givenchy são exemplos das que embarcaram no minimalismo.
Mesmo que essa simplificação fosse, em parte, motivada pela necessidade de tornar o logo legível em telas de celular e ícones de redes sociais, ela levou à “blandification”, uma tendência em que as marcas se imitavam até se tornarem quase idênticas. Olhando para trás, foi Hedi Slimane que inaugurou essa tendência ao mudar o nome de Yves Saint Laurent para Saint Laurent Paris em 2012, adotando um novo logotipo sans-serif. Slimane também removeu o acento de Celine em 2018.


Maximalismo de volta
O movimento de reversão que a Dior de Jonathan Anderson aplicou não é isolado. Outras marcas que haviam cedido ao logotipo minimalista estão seguindo o mesmo caminho de distinção. A Saint Laurent, por exemplo, que foi pioneira da tendência sans-serif em 2012, voltou a usar a antiga fonte serifada. Sob a direção de Daniel Lee, a britânica Burberry também abandonou os sans-serifs, introduzindo um novo logotipo que reviveu o clássico cavaleiro equestre que acompanhou a etiqueta por décadas.


