
Ilca Maria EstevãoColunas

Francesas usam máscaras de porco em protesto contra Epstein
No Dia da Mulher, mulheres usaram máscaras de porco como analogia aos nomes citados nos documentos de Jeffrey Epstein
atualizado
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O Dia Internacional da Mulher foi cenário para uma manifestação em frente ao Museu do Louvre, em Paris. Participantes da ONG Femen France surgiram com os seios à mostra e usando máscaras simulando cabeças de porcos. O objetivo era protestar contra a impunidade de autoridades que foram citadas nos documentos do empresário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais contra menores de idade.
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Protesto contra a impunidade
Nos últimos meses, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou uma quantidade massiva de documentos relacionados ao caso do empresário Jeffrey Epstein, preso em 2019 sob acusações de tráfico sexual.
Neles, diversos nomes da política e de personalidades norte-americanas foram citados, incluindo o do atual presidente dos EUA, Donald Trump, e o ex-presidente Bill Clinton. Até o momento, a única prisão realizada, além da de Epstein, foi a do membro da família real britânica Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do atual rei da Inglaterra.

É neste contexto que a ONG Femen France realizou uma ação na frente do Louvre. As participantes surgiram com os seios à mostra – atitude comum em protestos da ONG -, e máscaras que simulavam cabeças de porcos. Na parte inferior, vestiram calças pretas com zíperes abertos e enchimentos no formato de pênis pendurados para fora.
No tronco, as manifestantes escreveram os nomes de diversas personalidades que foram citadas nos arquivos e realizaram uma dança enquanto jogavam notas de dinheiro para cima. A ONG Femen France faz parte de um movimento internacional de luta pelos direitos das mulheres.
Em seu perfil oficial, a Femen France escreveu a mensagem: “Team Epstein: Catch them all!” (Time Epstein: Peguem Todos, em tradução livre).

A história da ONG
A ONG Femen France foi fundada em 2008 pela ativista ucraniana Anna Hutsol. A instituição criou o termo “sextremismo” para descrever sua forma de protesto. As participantes se baseiam em três pilares de luta, denominado pelo grupo como as três faces do patriarcado: a exploração sexual, as ditaduras e as instituições religiosas.
Os seios à mostra durante as manifestações e o uso de tiaras de flores características da cultura ucraniana se tornaram os principais códigos visuais do grupo. Além disso, a ONG conta com centros de treinamento físico e tático para que suas participantes consigam resistir a prisões e confrontos com a polícia sem usar violência física.

Moda e protestos
Esse não é o primeiro caso recente de manifestação em que itens cheios de significado impactam visualmente. Desde 2017, um grupo de mulheres se reúnem e manifestam pacificamente em favor dos direitos reprodutivos femininos. Elas se intitulam Exército de Aia, do original Handmaid’s Army, e utilizam a estética da obra O Conto da Aia, da autora Margaret Atwood, para espalhar sua mensagem pelo território americano. Atualmente, junto com a luta pelas mulheres, o movimento passou a defender as causas dos imigrantes, participando de manifestações contra o ICE, o serviço de imigração do país.




















