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Mulheres acusadas de bruxaria são homenageadas em trajes escoceses
Campanha Bruxas da Escócia busca o perdão oficial às mulheres que morreram após serem acusadas de bruxaria até o século 18
atualizado
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Um novo padrão de tartan — o tradicional tecido xadrez surgido na Escócia — foi criado para homenagear milhares de mulheres acusadas de bruxaria no país entre os séculos 16 e 18. O desenho funciona como um memorial simbólico às vítimas da perseguição histórica, que causou a execução de cerca de 2.500 pessoas na região.
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Bruxas da Escócia
Entre 1563 e 1736, o chamado Witchcraft Act transformou a bruxaria em crime na Escócia. Durante os 173 anos em que a lei esteve em vigor, cerca de 3.800 pessoas foram acusadas e aproximadamente 2.500 foram executadas, sendo cerca de 85% delas mulheres. Muitas foram estranguladas e depois queimadas, após interrogatórios e torturas usados para obter confissões.
A nova padronagem foi criada como parte da campanha Witches of Scotland, fundada em 2020. O movimento busca três objetivos: garantir um perdão oficial, um pedido formal de desculpas e a criação de um memorial nacional para as vítimas das caças às bruxas no país.

Apesar de a ideia inicial ter sido erguer um monumento físico, as criadoras decidiram transformar a homenagem em algo que pudesse ser usado no cotidiano. Assim nasceu o novo tartan, que aparece em peças como kilts, xales e outros acessórios, funcionando como um “memorial vivo”.
Cores e simbolismos
O desenho do tecido foi desenvolvido em parceria com a designer Clare Campbell, e cada cor carrega um significado histórico. O preto e o cinza representam o período sombrio das perseguições e as cinzas das vítimas; o vermelho simboliza o sangue derramado; e o rosa faz referência às fitas usadas para amarrar documentos legais dos processos.

Até a quantidade de fios tem um significado específico: os grandes quadrados pretos possuem 173 fios, número que representa os anos em que a lei de bruxaria esteve em vigor. Já outros padrões de fios remetem aos anos de criação e revogação da legislação. Confira, no vídeo, o processo de fabricação:
Além de preservar a memória das vítimas, o projeto busca chamar a atenção para injustiças históricas motivadas por misoginia e medo social. Em 2022, a então primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon chegou a emitir um pedido formal de desculpas às pessoas perseguidas sob as acusações de bruxaria, reconhecendo o episódio como uma grande injustiça histórica.
Agora, com o novo tartan, a ideia é que cada peça produzida funcione como um lembrete permanente desse capítulo sombrio da história. Mais do que lembrar dos fatos, o foco é honrar as milhares de mulheres que pagaram com a vida por acusações de bruxaria.













