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Avanzzo anuncia encerramento das atividades com coleção-cápsula
Após 36 anos no mercado, a etiqueta brasiliense Avanzzo anuncia fechamento de lojas e última coleção
atualizado
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Representante da moda brasiliense há 36 anos, a Avanzzo é uma das marcas que moldou o perfil da mulher de Brasília. Nesta quarta-feira (25/3), a etiqueta apresenta sua última coleção e anuncia o encerramento de suas atividades. Intitulada Tempo, a linha conta com 36 modelos atemporais que se destacaram entre o público fiel da marca ao longo dos anos.
Vem entender!

Coleção de despedida
A coleção Tempo será a última produzida pela Avanzzo, que, comandada por Danielle Naegele, vestiu mulheres brasilienses por quase quatro décadas.
“Encerrar este ciclo é uma escolha corajosa. Não nasce da falta, nasce da consciência, da certeza de que fizemos tudo com verdade. ‘Tempo’ não é fim, é legado. Essa coleção celebra tudo o que construímos e o que permanecerá na memória de muitos”, afirma.

Composta por 36 peças, a linha inclui modelos queridos pelas clientes da etiqueta, agora em uma nova versão. O estoque será limitado e não contará com reposições, marcando o encerramento das atividades da marca.
“Essa coleção é uma despedida e celebra tudo o que construímos desde então e que permanecerá na memória. É e sempre será gratificante ver tantas mulheres viverem momentos especiais de suas vidas usando Avanzzo”, completa Daniella.
Trajetória no quadradinho
Fundada pela estilista Daniella Naegele, em 1989, a Avanzzo é uma etiqueta de moda oriunda da capital, cuja produção é pensada para mulheres que buscam versatilidade em modelos atemporais. Como proposta, a marca cria roupas que sejam adequadas para ocasiões formais, mas também de lazer e outras oportunidades.

A cliente da Avanzzo é uma mulher que utiliza a moda não somente como uma forma de expressão, como também uma ferramenta prática, para elaborar combinações versáteis para o dia a dia. Por isso, uma das principais propostas da marca é ser um destino certeiro para quem não abre mão de peças coringas, que transitam desde a produção do trabalho até o look elaborado para uma festa ou casamento.

Quando a pauta é tendências, o diretor comercial da grife, Vitor Naegele, pontua que a etiqueta está sempre de olho nos desfiles das principais semanas de moda e no street fashion, a fim de mapear o que as mulheres têm usado. No entanto, a label segue por um caminho mais autêntico e orienta a criação por uma via que valoriza a atemporalidade.

Nos últimos anos, que foram desafiadores para o varejo de moda em escala global, a Avanzzo foi desafiada a repensar os canais de comunicação e passou a focar os esforços, também, no âmbito digital. “Foi um baita dever de casa estender ao público do digital a boa experiência de compra do presencial, que conta com um público fidelizado”, explica Vitor.
Os desafios do fast fashion
A decisão de encerrar as atividades da Avanzzo é fruto de um longo embate com o fast fashion. Manter ativa uma marca que preza pela qualidade e mão de obra nacional é ir contra a corrente dos produtos importados do exterior, que chegam às mãos dos clientes com custos menores. O resultado é um desequilíbrio do mercado da moda, afetando criadores locais em diferentes escalas.

Países europeus, por exemplo, já se movimentam contra a ultraprodução de moda de aplicativos como Shein e Temu. Recentemente, a União Europeia abriu uma investigação formal sobre a Shein, referente a produtos ilegais e ao design potencialmente viciante da plataforma. A medida acalora as tensões entre o bloco e a varejista chinesa, que vem sofrendo represálias após ser acusada de concorrência desleal com o comércio local, além de vender bonecas sexuais com aparência infantil, entre outras polêmicas.



































