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Igor Gadelha

Por que o governo cedeu e topou votar o PL Antifacção de Derrite

Mudança de postura do governo, que votou pelo relatório de Guilherme Derrite no PL Antifaçção, mirou aprovação de outro projeto na Câmara

25/02/2026 12:08, atualizado 25/02/2026 12:09
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
O deputado Guilherme Derrite PP-SP conversa com Hugo Motta Republicanos-PB, durante sessão no plenário da Câmara dos deputados Metrópoels 4

A sessão da Câmara na noite de terça-feira (25/2) marcou uma mudança de postura do governo Lula em relação ao relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o PL Antifacção.

O acordo da liderança do governo com a cúpula da Câmara para aprovar o texto de Derrite pegou parte da base aliada de surpresa e irritou até mesmo deputados do PT, partido de Lula.

Nos bastidores, petistas apontam prejuízo político para a base do governo na mudança de posição após governistas atuarem para convencer a opinião pública de que o texto de Derrite era ruim.

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O deputado Guilherme Derrite (PP-SP)
O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite
O secretário Guilherme Derrite em evento da Rota em SP
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O secretário Guilherme Derrite em evento da Rota em SP

Pablo Jacob /Governo do Estado de SP
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP)
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O deputado Guilherme Derrite (PP-SP)

Pablo Jacob /Governo do Estado de SP
O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite
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O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Derrite, que foi secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas, acatou poucas mudanças feitas pelo Senado no projeto e retomou boa parte de seu texto, criticado pela bancada governista.

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Nos bastidores da votação, deputados alinhados ao Palácio do Planalto disseram à coluna que o governo topou aceitar o texto de Derrite em troca de aprovar o projeto do Redata.

O Redata, que chegou ao Congresso Nacional originalmente como medida provisória (MP) enviada pelo Executivo, traz incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil.

Como mostrou a coluna, prevendo derrota na MP, que caducou, o governo apresentou um projeto de lei para acelerar a tramitação e impedir que os incentivos fossem paralisados.

A costura para garantir a votação do Redata foi feita em uma reunião do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com Derrite, representantes do ministério da Fazenda e da articulação política do governo.

No acordo, ficou definido que o Redata seria votado rapidamente, caso o governo não atrapalhasse a votação do PL Antifacção, mesmo com o retorno quase integral da proposta de Derrite e a derrubada do Cide-Bets.

O Cide-Bets era o imposto criado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do PL Antifacção no Senado, para financiar o combate ao crime organizado. O trecho foi derrubado por um destaque apresentado pelo PP.

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A votação simbólica sobre o imposto das bets, sem que os deputados registrassem voto no destaque, foi uma exigência do Centrão para a manutenção do acordo sobre a votação do Redata.

No início da votação, lideranças governistas, insatisfeitas com o acordo, chegaram a buscar as 51 assinaturas necessárias para que a votação fosse nominal. Mas, sem apoio do Planalto, foi impossível angariar apoio.

No fim da noite, petistas e aliados tentaram, nas redes sociais, apontar vitória parcial e criticar a retirada do Cide-Bets. No plenário, porém, o clima era de derrota petista e vitória do Centrão no PL Antifacção.