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Após criticar aumento, Deltan decide usar fundo eleitoral na campanha

Ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol pediu ao Podemos recursos do fundo eleitoral para financiar sua campanha à Câmara dos Deputados

atualizado 28/08/2022 8:40

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol Vladimir Platonow/Agência Brasil)

Crítico do fundo eleitoral, o ex-procurador Deltan Dallagnol (PR) pediu à direção de seu partido, o Podemos, uma fatia dos recursos públicos do “fundão” para bancar sua campanha à Câmara dos Deputados deste ano.

À coluna, Dallagnol argumentou, por meio de sua assessoria, que “não usar o fundo é como ir para a guerra sem armas contra a velha política, que usa não só o fundo, mas dinheiro da corrupção nas suas campanhas”.

“Se os bons não usarem, os ruins usarão e terão mais dinheiro para se eleger, e várias pesquisas já documentaram que existe forte correlação entre recursos investidos em campanha e número de votos”, justificou.

Procurado, o Podemos não informou o valor exato que repassará para Dallganol. Ao todo, o partido recebeu do TSE R$ 212,6 milhões referentes ao fundo eleitoral.

Críticas

O ex-procurador faz parte do projeto “200+”, que, entre outros pontos, defende a extinção ou a redução do valor do fundão. Este ano, todos os partidos juntos tiveram direito a R$ 4,9 bilhões, quase o triplo do R$ 1,7 bilhão de 2018.

Quando o Congresso Nacional aprovou o aumento do fundo, em votação realizada em dezembro de 2021, Dallagnol fez questão de ir às redes sociais criticar a decisão dos parlamentares.

Inicialmente, deputados federais e senadores aprovaram o aumento do fundão para R$ 5,7 bilhões. Posteriormente, os repasses foram fixados na Lei Orçamentária Anual de 2022 de R$ 4,9 bilhões .

Outro integrante da Lava Jato que criticou o aumento do fundão e decidiu usar os recursos é Sergio Moro (União Brasil). Até agora, a sigla do ex-juiz já repassou R$ 2,2 milhões do fundo para a campanha dele ao Senado.

“Problemas”

À coluna, Dallagnol afirmou ainda ver dois “problemas” no fundo eleitoral brasileiro. O primeiro seria a “distribuição desigual” dentro dos partidos. O segundo seria o valor muito alto.

“Não é razoável gastar quase R$ 5 bilhões em campanhas eleitorais no momento em que grande parte da população não tem o que comer. Esse dinheiro deveria estar sendo usado para melhorar a saúde, a educação, a segurança”, diz.

Embora tenha decidido usar os recursos públicos do fundão, o ex-procurador diz que, se eleito, seu “compromisso” será “lutar para reduzir o fundo eleitoral em pelo menos dois terços” e para “baratear as campanhas eleitorais”.

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