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Igor Gadelha

Análise: está na hora de rediscutir as indicações de ministros do STF?

Rejeição de Jorge Messias ao STF indica janela de oportunidade para discutir maneiras de diminuir a influência política dentro da Corte

02/05/2026 07:00
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Análise: está na hora de rediscutir as indicações de ministros do STF?
Análise: está na hora de rediscutir as indicações de ministros do STF?

Sejamos francos: Jorge Messias não foi rejeitado pelo Senado ao STF por falta de “notável saber jurídico” ou de “reputação ilibada”. Nas entrelinhas, o constituinte colocou outro requisito que atrapalhou o ministro da AGU de Lula: a política.

Ao definir que a indicação ao Supremo cabe ao presidente da República — que, por necessidade, é um político — e que sua aprovação cabe aos senadores — políticos por natureza —, a Constituição força o indicado ao STF a ser mais político do que juiz.

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Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado
Indicado por Lula ao STF, Jorge Messias, exibe exemplar da Constituição Federal durante sabatina no Senado
Ministro da AGU, Jorge Messias
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Ministro da AGU, Jorge Messias

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado
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Jorge Messias durante sabatina na CCJ do Senado

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Indicado por Lula ao STF, Jorge Messias, exibe exemplar da Constituição Federal durante sabatina no Senado
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Indicado por Lula ao STF, Jorge Messias, exibe exemplar da Constituição Federal durante sabatina no Senado

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

Não à toa, a tarefa a que se presta qualquer postulante a ministro do STF é percorrer a via-crúcis de visitar a maior quantidade possível de gabinetes no Senado. E, de modo bem político, fazer as promessas necessárias para ser aprovado.

A situação de Messias não foi diferente. Independentemente de sua carreira jurídica, ele foi escolhido por ser homem de confiança de Lula. E foi rejeitado especialmente por não ser o político de confiança de Davi Alcolumbre (União-AP).

O problema de tudo isso é que, ao forçar que o indicado seja, antes de tudo, político, a Constituição gerou o que, hoje, é a principal fraqueza do STF perante a opinião pública: ministros diretamente envolvidos com a política.

A principal ala do Supremo, comandada por Gilmar Mendes e que conta ainda com Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino, é formada, justamente, pelos ministros que melhor transitam entre a vida jurídica e a política.

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Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes
Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes
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É também a ala que, por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, colocou o Supremo na berlinda. Aliados de Messias dizem, nos bastidores, que Moraes articulou politicamente a rejeição do AGU, justamente de olho no Caso Master.

Sem ser injusto, mesmo ministros de outras alas, como André Mendonça, Nunes Marques e Cristiano Zanin, também chegaram ao Supremo por suas relações políticas e tampouco foram avaliados exclusivamente por suas carreiras.

O momento, então, torna-se oportuno para uma reforma. Até porque a derrota foi, momentaneamente, petista. Mas Alcolumbre já mostrou que também não aceitará um nome bolsonarista que não conte com sua bênção política.

O que não faltam são propostas, muitas já em tramitação no Congresso, para tentar aperfeiçoar as indicações ao STF, contando, por exemplo, com a participação das múltiplas instâncias do Poder Judiciário no Brasil.

Sugestões como listas tríplices e sêxtuplas, com indicações do CNJ e do Ministério Público, obrigatoriedade de que os indicados sejam juízes de carreira e divisão da responsabilidade pelas indicações são alguns dos caminhos propostos.

Pesquisa Datafolha divulgada em abril mostrou que 75% da população avaliam que a confiança no STF diminuiu. O caminho para reverter isso passa por membros mais comprometidos em ser juízes do que em ser políticos.

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