
A eleição acabou: é hora de direita, esquerda e Judiciário baixarem armas
É hora de respeitar o resultado das urnas, baixar as armas e entender que a disputa eleitoral tem regras que devem ser respeitadas por todos

A eleição presidencial no Brasil terminou no domingo (25/10). Agora, é hora de respeitar o resultado das urnas, baixar as armas e entender que a disputa eleitoral tem regras que precisam ser respeitadas por todos.
Não é momento de quem perdeu levantar suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral. Tampouco de quem ganhou provocar o adversário. A democracia depende da capacidade de vencedores e derrotados de conviver sob as mesmas regras.
Aos vencedores, cabe a responsabilidade de governar. Isso exige mais do que celebrar a vitória: será necessário construir pontes, negociar e buscar apoios para garantir governabilidade em um Congresso Nacional predominantemente de direita.
O resultado das urnas confere legitimidade ao mandato, mas não elimina a necessidade de diálogo com forças políticas que pensam diferente. Governar é construir maiorias, e não transformar a vitória eleitoral em autorização para ignorar o adversário.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaAos derrotados, por sua vez, cabe reagrupar forças, rever estratégias e se organizar para exercer uma oposição firme e qualificada. Questionar decisões do governo, fiscalizar o uso dos recursos públicos e apresentar alternativas são atribuições legítimas de quem não venceu.
O que não cabe é colocar sob suspeita o processo eleitoral sem provas ou tratar as instituições democráticas como legítimas apenas quando o resultado favorece o próprio grupo. Perder uma eleição não significa abrir mão de fazer política. Significa fazê-la a partir de outro lugar.
A mesma exigência de equilíbrio vale para o Judiciário. A atuação dos ministros do STF precisa observar critérios jurídicos claros, com decisões fundamentadas e respeito às garantias individuais.
Nesse contexto, a ordem do ministro Alexandre de Moraes para apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL), horas depois de anunciada a derrota do senador, suscita questionamentos sobre o momento e a proporcionalidade da medida.
Flávio é investigado, e eventuais decisões judiciais relacionadas a esse caso devem ser avaliadas à luz dos fatos, das provas e dos fundamentos jurídicos apresentados. Isso, porém, não elimina a necessidade de examinar com rigor o contexto em que uma medida é adotada.
A proximidade temporal entre a derrota eleitoral e a decisão de Moraes pode alimentar a percepção de retaliação, ainda que o momento, isoladamente, não seja suficiente para comprovar essa motivação.
Para ajudar a refletir, uma pergunta é inevitável: se Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição, a mesma restrição teria sido imposta a ele na condição de presidente eleito? A aposta em Brasília é de que certamente Moraes não agiria assim.
A questão, contudo, ajuda a ilustrar um princípio essencial: decisões judiciais não podem servir de instrumento de punição política, nem parecer condicionadas ao resultado das urnas.
Se houver fundamento legal para restringir direitos, ele precisa ser demonstrado de forma transparente, independentemente de quem tenha vencido ou perdido a disputa.
A esquerda deveria reconhecer a importância dessa cautela, vide o que enfrentou durante a operação Lava Jato. Defender garantias individuais e limites para o poder judicial não pode ser uma posição condicionada à identidade de quem está sob investigação.
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Ver todasO Brasil precisa virar a página da eleição sem apagar as divergências que fazem parte da democracia.
Aos lulistas, cabe compreender que a vitória não autoriza a humilhação dos derrotados.
Aos bolsonaristas, cabe aceitar o resultado e reorganizar a oposição dentro das regras do jogo.
Ao STF, cabe exercer suas atribuições com independência, fundamentação e respeito aos direitos individuais.
A eleição acabou. O país continua. É hora de superar a disputa, recolher as armas e seguir em frente. Cada um no seu papel, com a consciência de que a democracia exige responsabilidade tanto de quem governa quanto de quem faz oposição — e também de quem julga.






