Guilherme Amado

Servidora relatou ao MP coação eleitoral em favor de ministra de Lula

Em depoimento ao MPRJ, servidora de prefeitura de Belford Roxo disse que recebia salário atrasado por não fazer campanha para Daniela

atualizado

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Billy Boss/Câmara dos Deputados
A deputada Daniela do Waguinho fala diante de microfone em comissão na Câmara dos Deputados - Metrópoles
1 de 1 A deputada Daniela do Waguinho fala diante de microfone em comissão na Câmara dos Deputados - Metrópoles - Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Em uma denúncia recebida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, em outubro de 2018, uma servidora da Prefeitura de Belford Roxo diz que funcionários que não fizessem campanha para Daniela do Waguinho, deputada e, agora, ministra do Turismo de Lula, não recebiam seus salários em dia. Daniela foi eleita para a Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2019 e, em 2022, foi a candidata mais votada do estado.

Na época, o marido da ministra, o prefeito Waguinho, estava em seu segundo mandato na prefeitura. A denúncia foi arrolada em uma Ação Civil Pública contra Waguinho, em que foi pedido o afastamento do prefeito do cargo por improbidade administrativa.

No depoimento, a servidora contou ter ficado dois meses com o salário atrasado em 2018. Disse também que a responsável pelo Centro de Atendimento e Controle Epidemiológico Benis P. de Freitas, em Belford Roxo, criou, a pedido de um vereador ligado a Waguinho e Daniela, um grupo de WhatsApp para convocar servidores para atos de campanha da ministra e do deputado estadual Márcio Canella, que era vice de Waguinho e candidato à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

“Somente os funcionários que se dispunham a fazer campanha para a atual primeira-dama, senhora Daniela Carneiro (“Daniela do Waguinho”), candidata a deputada federal, recebiam seus salários em dia. O senhor prefeito Wagner Carneiro está se valendo da máquina pública municipal para obrigar funcionários da prefeitura a realizar campanha em favor da candidatura de sua esposa”, disse a servidora na denúncia.

O relato da servidora também foi feito à Procuradoria Eleitoral do Rio de Janeiro, que investigou a campanha de Daniela em 2018. O processo foi arquivado em 2020. A ministra, contudo, está sendo investigada novamente pelo Ministério Público Eleitoral por suspeita de ter criado um curral eleitoral armado na última eleição.

Em nota, a assessoria da ministra disse que “a denúncia partiu da oposição” e negou que a prefeitura tenha atrasado salários de servidores por não terem participado na campanha de Daniela.

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