Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Naomi Matsui

Desentendimento sobre verba alemã quase leva subprocuradores às vias de fato

Discussão ocorreu entre o vice-PGR, Humberto Jacques, e o secretário de Cooperação Internacional, Hindemburgo Chateaubriand

atualizado 25/09/2021 6:40

PGRJoão Américo Mezzeth Filippi/PGR

Um projeto do governo brasileiro para áreas indígenas financiado pela Alemanha tem gerado fortes desentendimentos na PGR. No início do mês, dois subprocuradores quase foram às vias de fato. A discussão ocorreu entre o vice-PGR, Humberto Jacques, e o secretário de Cooperação Internacional, Hindemburgo Chateaubriand.

A iniciativa é custeada por uma doação da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) para o sensoriamento remoto de áreas indígenas.

No início do mês, Hindemburgo e Jacques tiveram dura discussão sobre o tema. Precisaram ser separados para não partirem para a agressão física, e chegou-se a se falar no registro de um boletim de ocorrência, o que não foi feito.

Hindemburgo defende o projeto e costurou detalhes dele junto ao Itamaraty e aos militares, enquanto o vice-PGR questiona, privadamente, qual seria o verdadeiro interesse da Alemanha e até do MPF no caso. Jacques insinuou que o episódio seria uma “nova fundação de Curitiba”, em referência à tentativa da força-tarefa da Lava Jato de criar um fundo bilionário com dinheiro da Petrobras em 2019.

Procurados, Humberto Jacques e a PGR não responderam.

Hindemburgo negou ter tido qualquer discussão com Jacques e defendeu o projeto.

“O projeto é técnico e não tem um tostão de dinheiro brasileiro. Não está na mão de procurador nenhum, não há autonomia para decidir nada”, afirmou o secretário de Cooperação Internacional da PGR.

“A 6ª Câmara do MPF, que trata da matéria indígena, tinha um projeto muito bacana de georreferenciamento em comunidades tradicionais, com possibilidades de ampliar para a área ambiental. O Poder Executivo analisou a questão por um ano, inclusive o Conselho da Amazônia. Esse convênio, em fase inicial de execução, foi assinado pelo procurador-geral da República, pela Agência Brasileira de Cooperação, do Itamaraty, e pelo governo alemão”, acrescentou Hindemburgo.

Embora tenha preferido não falar publicamente da discussão, Hindemburgo chegou a comunicar a Aras que deixaria a cooperação internacional e disse que não conseguiria mais ficar no mesmo ambiente de Jacques.

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