Cinco frases de Lula sobre Alckmin que constrangerão possível aliança
Lula já acusou Geraldo Alckmin de agir com “pequenez política” e “hipocrisia”
atualizado
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O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin se desfiliou nesta quarta-feira (15/12) do PSDB, reforçando a opção de ser vice de Lula em 2022. Aberto a ter Alckmin na chapa para mostrar moderação e diálogo com a centro-direita, Lula nem sempre seguiu esse roteiro em relação ao agora ex-tucano.
Como adversário de Alckmin nas eleições presidenciais de 2006, Lula já disse que o ex-governador de São Paulo age com “pequenez política” e “hipocrisia”. Também o chamou de “picolé de chuchu” e “insosso”.
Em 2006, durante uma entrevista na campanha eleitoral, o ex-presidente comentou que ficou irritado com uma suposição de Alckmin de que o governo deveria vender o avião presidencial. Então, o petista disse que o ex-tucano agia com pequenez política.
“A gente era multado em todos os aeroportos da Europa. Ficava voando, esperando achar alguém que desse autorização para pousar. Fico irritado pela pequenez política (de Alckmin)”, declarou Lula.
No horário eleitoral daquele mesmo ano, Lula disse que Alckmin agia com hipocrisia, desprezo ao povo e tinha medo de punir desvios.
”Estamos agindo sem varrer o lixo para debaixo do tapete. Sem medo de punir. Seja quem for. Doa a quem doer. Um comportamento bem diferente de certos políticos que hoje se dizem defensores da ordem e da moral e que ontem fizeram o contrário. A hipocrisia e o desprezo ao povo não voltarão jamais a este país”, instigou o ex-presidente em 2006.
Assim como Alckmin acusou Lula e o PT de terem ligação com o PCC em São Paulo, o político petista rebateu e disse que o governo paulista, comandado por Alckmin na época, mantinha relação com a facção criminosa.
“O Brasil sabe muito bem quem deixou São Paulo refém do crime organizado. E os paulistas sabem quem mandou engavetar mais de 60 CPIs para que seu governo não fosse investigado”, acusou Lula no horário eleitoral.
O PT também já atacou o ex-tucano, que pode ser aliado de chapa de Lula. Em 2016, a bancada petista da Assembleia Legislativa de São Paulo chamou Alckmin e o PSDB de “hereges dissimulados”, em uma nota sobre denúncias de propina levantadas na Operação Lava-Jato
“São hereges dissimulados, discursam como paladinos da moralidade, ludibriam a opinião pública, sustentados na blindagem construída ao longo do tempo”, disse o comunicado.
Já em 2014, durante um comício do PT em São Paulo, Lula chamou Alckmin de “picolé de chuchu” e “insosso” por, segundo ele, ser omisso aos problemas dos paulistas.
“Não é à toa que esse governador tem apelido de picolé de chuchu. É insosso, como se fosse comida sem sal. Nunca fala de nenhum problema do Estado, nunca responde por nada”, disse o ex-presidente.

Quinze anos depois de concorrerem como rivais nas eleições ao cargo de chefe do Executivo federal, o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) ensaiam formar aliança inusitada para 2022 Ana Nascimento/ Agência Brasil

Lula e Alckmin disputaram o segundo turno das eleições presidenciais de 2006 em uma campanha marcada por ataques mútuos. Lula saiu vencedor com 48,61% dos votos Band/Reprodução

Após a derrota, Alckmin seguiu como oposição ferrenha a Lula Filipe Cardoso/ Metrópoles

No entanto, mirando nas eleições de 2022, o ex-presidente mostrou interesse em ter Alckmin como vice Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-governador, inclusive, tem sinalizado favoravelmente ao petista Michael Melo/Metrópoles

A aliança entre os políticos é estratégica. Ter Alckmin como vice pode atrair setores do mercado e do empresariado que resistem ao nome de Lula como candidato à Presidência da República Michael Melo/Metrópoles

O tucano pode, também, agregar mais votos de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país Igo Estrela/Metrópoles

De acordo com pesquisa realizada em setembro de 2021 pelo Datafolha, Alckmin estava na liderança para o governo paulista Igo Estrela/Metrópoles

A aliança entre os políticos foi oficializada em abril de 2022. A "demora" envolveu, além das questões legais da política eleitoral, acordo sobre a qual partido o ex-governador se filiaria Ana Nascimento/ Agência Brasil

Ao ser vice de Lula, Alckmin almeja ganhar ainda mais projeção política, o que o beneficiará durante possível corrida presidencial em 2026 Rafaela Felicciano/Metrópoles