Vereador do PT preso por elo com o PCC teve voto mais caro da sigla em SP
Direção nacional do PT doou R$ 1,2 milhão a vereador que teve a menor votação entre os oito eleitos da bancada petista na cidade de SP

Preso nesta quinta-feira (25/6) na investigação que apura a atuação do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, o vereador Senival Moura (PT) recebeu R$ 1,22 milhão da direção nacional do partido nas eleições municipais de 2024. O parlamentar obteve 30.480 votos, a menor votação entre os oito vereadores eleitos pela legenda para a Câmara Municipal de São Paulo.
Apesar de ter sido o menos votado da bancada petista, Senival recebeu a quinta maior doação da direção nacional do PT entre os vereadores eleitos do partido na capital paulista.
Os dados da prestação de contas mostram que o vereador registrou o maior custo por voto da bancada. A relação entre os recursos recebidos e a votação obtida corresponde a R$ 40,26 por voto.
A candidata mais votada do PT, Luna Zarattini, recebeu R$ 1,7 milhão da direção nacional do partido e obteve 100.921 votos, o equivalente a R$ 16,82 por voto. Nabil Bonduki, que recebeu R$ 619 mil, registrou o menor custo por voto da bancada, de R$ 12,49.
Senival recebeu mais recursos partidários do que Nabil Bonduki, Jair Tatto e Dheison Silva, embora tenha obtido a menor votação entre os vereadores petistas eleitos.
Nas eleições municipais de 2024, Senival declarou patrimônio de R$ 3,6 milhões à Justiça Eleitoral.
Prisão do petista
O vereador foi preso durante a Operação Última Parada, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as investigações, ele é suspeito de integrar uma organização criminosa e de lavar dinheiro para o PCC.
As apurações indicam que Senival atuaria como controlador da empresa de ônibus Transunião, que opera linhas na Zona Leste de São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194,4 milhões em bens e contas dos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, integrantes do PCC controlariam entre 30% e 40% da frota da empresa. Durante coletiva de imprensa, investigadores afirmaram que Senival chegou a ser jurado de morte pela facção em razão de disputas envolvendo recursos do grupo criminoso.

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