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Grande Angular

Senado vai discutir caso de “trans fakes” em presídio feminino do DF

Comissão do Senado fará audiência para discutir a transferência de supostas mulheres trans para a Penitenciária Feminina do DF

08/07/2026 14:28, atualizado 08/07/2026 14:29
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Arte/Metrópoles
trans presas

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (8/7), requerimento da presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), para realizar uma audiência pública sobre a transferência de supostas mulheres trans para a Penitenciária Feminina do DF, a Colmeia. A data do debate ainda será definida.

Segundo Damares, o requerimento foi apresentado após a comissão receber uma manifestação de representantes da sociedade civil relatando que “pessoas do sexo masculino que se autodeclaram mulheres, incluindo condenados por crimes de homicídio e estupro, teriam sido transferidas para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal”.

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A senadora afirma que o caso levou a comissão a apurar os fatos na unidade prisional.

A audiência deverá reunir representantes da direção da Colmeia, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, da Secretaria Nacional de Políticas Penais e de entidades da sociedade civil.

Segundo Damares, o objetivo é “conferir transparência ao que foi apurado, ouvir as instituições envolvidas e construir respostas legislativas e de política pública”.

Na justificativa do pedido, a senadora afirma que o debate também pretende esclarecer “as circunstâncias, os fundamentos jurídicos e os critérios administrativos que embasaram as transferências realizadas”.

A parlamentar argumenta ainda que a discussão poderá servir de base para “eventual proposição legislativa que reforce, em caráter nacional, as garantias de separação sexual no sistema penitenciário brasileiro”.

Palco de pesadelo

De acordo com reportagem publicada pela coluna Na mira, de Carlos Carone, do Metrópoles, homens cisgêneros estão simulando identidades de gênero para invadir o espaço feminino da Colmeia. Os primeiros ataques foram relevados pela coluna em fevereiro deste ano.

Segundo o presidente do Instituto Liberdade, Igualdade e Fraternidade (INPDH), Allysson Prata, que conduziu umas série de entrevistas com internas da Colmeia,  mulheres transexuais encontram-se à mercê de agressores que mantêm a força física e a mentalidade de presos masculinos do sistema prisional.

A gravidade da situação atingiu um ponto em que mulheres transexuais estão protocolando pedidos para retornar ao sistema prisional masculino. Para muitas, o risco iminente de morte e a tortura psicológica na ala feminina tornou-se mais insuportáveis do que o estigma de uma prisão masculina.

Há denúncias de que criminosos condenados por violência severa contra a própria população LGBTQIA+ estão sendo alocados no mesmo espaço que suas vítimas potenciais, criando um ciclo de revitimização perpétuo.

O presidente da ONG manifestou preocupação com a distorção da Lei de Execução Penal (LEP). Segundo Prata, a falta de uma triagem técnica e de uma trajetória social comprovada permite que a proteção legal seja sequestrada por oportunistas.

“É necessária a criação de critérios técnicos mais rigorosos. Não podemos permitir que distorções coloquem em risco justamente a população que o espaço deveria proteger”, declarou Prata.