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Pedido de crédito no BRB com taxa praticada para Flávio Bolsonaro comprar mansão cresce 234%

Relatório interno do banco, ao qual a coluna teve acesso, aponta uma corrida de clientes para obter crédito imobiliário nas mesmas condições

atualizado 07/03/2021 17:55

Imagem da mansão de Flávio BolsonaroReprodução

A notícia de que o senador Flávio Bolsonaro está de mudança para mansão de R$ 6 milhões em área nobre de Brasília e as circunstâncias de financiamento do imóvel pelo BRB provocaram uma corrida por crédito nas mesmas condições que as autorizadas para o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Relatório interno do Banco de Brasília ao qual a coluna teve acesso demonstra que, na última semana, houve acréscimo de 434% nos acessos aos simuladores de crédito habitacional do BRB. E aumento de 234% nas propostas efetivamente enviadas ao banco que pedem empréstimo em condições semelhantes às de Flávio Bolsonaro.

O BRB, instituição financeira que tem como principal acionista o Governo do Distrito Federal, financiou R$ 3,1 milhões da casa nova de Flávio Bolsonaro, como revelou o site O Antagonista. A certidão do imóvel registrada em cartório aponta que a taxa praticada pelo Banco de Brasília na operação foi de 3,71% (mais o IPCA), com valor nominal de 3,65% (mais o IPCA).

Um dia antes de a notícia vir a público, em 28 de fevereiro, as consultas para crédito imobiliário atrelado ao IPCA somaram 314. No dia seguinte, 1º de março, quando a compra foi noticiada, saltaram para 1.060. Dia 2, chegaram ao pico de 3.001 simulações; e, nas 48 horas seguintes, totalizaram mais 4.733 consultas.

No caso das propostas, a semana passada registrou pico com até 20 pedidos de crédito no mesmo dia, quatro vezes mais (5 propostas) que nos dias de maior procura da semana anterior à revelação da compra da casa de Flávio Bolsonaro.

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Questionado pela coluna, o BRB informou que, em 2020, o banco financiou 235 operações de crédito imobiliário indexadas ao IPCA, no mesmo formato que o contratado pelo senador.

Desse total, 205 (ou 87%) tinham taxas fixas de 3,40% (sem contar a variação do IPCA), ainda mais baixas que a aprovada para o filho de Jair Bolsonaro. E outras 29 operações imobiliárias atreladas ao IPCA seguiram os mesmos valores nominais, de 3,65%, do contrato de Flávio Bolsonaro. Apenas um empréstimo foi fechado com taxa superior: de 4,75%. De acordo com o banco, porque o cliente não teria transferido o crédito do salário.

Em números absolutos, ocorreu o seguinte: de R$ 100,7 milhões que irrigaram financiamentos imobiliários vinculados à correção por IPCA, R$ 64,6 milhões tiveram taxas mais baixas que as praticadas para Flávio Bolsonaro e sua esposa, Fernanda. Enquanto outros R$ 35,7 milhões foram liberados com o mesmo percentual aprovado para o filho do presidente.

Desde o início da pandemia, o BRB abriu linhas de crédito imobiliário e para construção civil consideradas agressivas no mercado e mais vantajosas que a de outros bancos, assumindo a liderança do crédito imobiliário no DF. Somente a Caixa Econômica Federal apresenta índices ainda mais competitivos que os do BRB no DF, com financiamentos que começam a partir de 3,35% (mais o IPCA).

A taxa do BRB pode ter sido tão camarada para Flávio Bolsonaro quanto foi para vários outros clientes que pegaram empréstimos recentemente no Banco de Brasília, mas, no caso do senador, há questões ainda pendentes para fechar a conta dos R$ 6 milhões. Por que o negócio da casa foi dado como quitado na escritura se ainda estão pendentes de pagamento quase R$ 1,8 milhão?

Além do mais, também não resta claro como o casal conseguiu, com renda somada de R$ 36.957,68, segundo escritura pública registrada em cartório de Brazlândia, obter aprovação para se comprometer com uma prestação mensal de R$ 18.744,16, valor que equivale a 50,7% dos vencimentos declarados.

Segundo simulador disponível no site do banco, o contratante do financiamento nessa linha precisaria comprovar renda de ao menos R$ 46.401,25.

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