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Fora da vacinação prioritária, servidores da assistência social ameaçam greve no DF

Representantes dos funcionários públicos de assistência social vão se reunir na quarta-feira (20/1) para discutir eventual paralisação

atualizado 18/01/2021 18:34

cras dfDaniel Ferreira/Metrópoles

Excluídos dos grupos prioritários para vacinação contra a Covid-19, no Distrito Federal, servidores da assistência social ameaçam entrar em greve. A paralisação vai ser discutida por representantes dos funcionários públicos, nesta quarta-feira (20/1).

O presidente do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc), Clayton Avelar, disse que os profissionais estão em trabalho presencial e integram “a única categoria que atua contra as consequências sociais e econômicas da pandemia”. “Se não formos incluídos no grupo prioritário da vacina, devemos interromper nossas atividades”, alertou o sindicalista.

O Sindsasc ainda afirmou que os servidores da assistência social não receberam equipamentos de proteção individual, como a Polícia Militar, nem foram liberados para trabalhar remotamente, como os profissionais do setor da educação.

Para provar seu ponto na reivindicação direcionada ao Governo do Distrito Federal (GDF), o sindicato apresentou um levantamento segundo o qual todos os trabalhadores da categoria poderiam ser vacinados se o Executivo local destinasse apenas 1,5% da sua cota inicial de imunizantes.

Os servidores da assistência social atuam na Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) e Secretaria da Mulher. “Somos solidários com o pessoal da saúde, assim como reconhecemos a importância da educação e segurança, mas não aceitamos esse tratamento discriminatório com a assistência social”, reforçou Avelar.

O outro lado

Em nota, a Sejus disse que “cumpriu fielmente os protocolos sanitários e as diretrizes de saúde estabelecidas pelos órgãos competentes”. “Neste sentido, fora editada a Portaria nº 432, de 14 julho de 2020, a qual dispôs acerca das medidas a serem observadas visando à prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19, nos ambientes de trabalho no âmbito das unidades da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania, a qual em síntese garante o respeito ao distanciamento e uso constante de equipamentos de proteção individual”, destacou.

A pasta negou que não tenha liberado funcionários para o trabalho remoto ou que não forneceu EPIs. Confira, na íntegra, o posicionamento da Sejus:

Nota da Sejus sobre ameaça … by Metropoles

A Secretaria da Mulher disse que passou a realizar de forma remota todos os atendimentos Núcleos de Atendimento às Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavd), considerando que as sedes do Ministério Público e dos Fóruns foram fechadas durante a pandemia.

“Importante lembrar que os serviços da secretaria, considerados essenciais, não foram suspenso. Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam), por exemplo, tiveram o horário de atendimento presencial adaptado para segunda a sexta-feira, das 10h às 16h30, garantindo a segurança do servidores e das mulheres acolhidas, evitando aglomerações. Também passou a ser possível agendar um horário de atendimento no Ceam pelo site http://www.agenda.df.gov.br”, pontuou.

A pasta ainda ressaltou que criou, durante a pandemia, o canal de denúncia via WhatsApp “Mulher, você não está só!”, para que as mulheres em situação de violência denunciassem casos de agressão doméstica e familiar, mesmo que não pudesse sair de casa em razão do isolamento social.

“A Casa Abrigo manteve seus serviços funcionando normalmente. Porém, é importante ressaltar que, nos casos de atendimento presencial, tanto dos Ceams como os da Casa Abrigo, a secretaria adotou protocolos de atendimento e de segurança recomendados pela Organização Mundial da Saúde, bem como distribuiu EPIs a todos os servidores na ativa. Também foram mantidos em teletrabalho os servidores idosos e com comorbidades, garantindo a preservação da saúde dos mesmos”, assinalou a pasta.

A Secretaria de Saúde informou que a definição do público alvo e das fases da campanha de vacinação foi realizada pelo Ministério da Saúde com base no Programa Nacional de Imunizações. “Cabe às secretarias estaduais, incluindo a SES-DF, seguir este plano”.

Vacinação no DF

As primeiras doses da Coronavac chegaram ao Distrito Federal na tarde desta segunda-feira (18/1). A aeronave C-130 (Hércules), que transporta 105.960 doses da vacina contra a Covid-19, pousou no Aeroporto Internacional de Brasília. A Coronavac foi desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, no Brasil.

Em coletiva de imprensa marcada para a tarde desta segunda, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, detalha como vai ser a imunização na capital federal. No DF, a primeira dose será aplicada às 10h desta terça-feira (19/1).

Anteriormente, a Secretaria de Saúde havia divulgado os quatro grupos prioritários para receber a vacina. Na primeira fase, deverão ser imunizados trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos e pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência, como asilos.

Já na segunda fase, pessoas com idade de 60 a 74 anos poderão receber a vacina. Cidadãos com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença, como hipertensão arterial grave e câncer, integram a terceira fase.

Por último na lista de prioridades, agentes de segurança e professores serão imunizados. Esses profissionais chegaram a ser retirados dessa primeira etapa, mas voltaram após repercussão negativa entre os trabalhadores das categorias.

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