BRB contrata escritório de advocacia para investigar negócios com o Banco Master
O BRB informou que o escritório Machado Meyer Advogados conduzirá a investigação independente, assistido pelo Kroll

O Banco de Brasília (BRB) contratou o escritório de advocacia Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Romano Advogados (Machado Meyer Advogados) para conduzir a investigação independente, assistido pela Kroll Associates Brasil, sobre as supostas irregularidades em negócios com o Banco Master.
Os fatos apurados são relacionados às investigações da Operação Compliance Zero, que aponta para suposta fraude de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB.
Em fato relevante divulgado ao mercado na noite desta terça-feira (2/12), o BRB disse que o escritório “reportará tão somente a um comitê independente de investigação, instaurado em 28 de novembro de 2025, formado por executivos que não possuíam qualquer função no BRB durante o período avaliado”.
Após a publicação do BRB, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse que quer “toda a transparência e, para isso, foi contratada pelo banco uma das melhores auditorias do Brasil”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular
Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular
Frequência de envio: Diário
Ver todasA 10ª Vara Federal de Brasília determinou o afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior, no contexto da investigação sobre os negócios suspeitos com o Banco Master. Em seguida, o governador Ibaneis Rocha (MDB) indicou o ex-presidente da Caixa Nelson Souza para a presidência do BRB.

Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular
Frequência de envio: Diário
Ver todasA Justiça Federal mandou prender o dono do Master, Daniel Vorcaro, e outros executivos ligados ao banco. Eles ficaram 12 dias presos.
A 10ª Vara Federal de Brasília ainda determinou a realização de uma auditoria minuciosa no BRB, pelo Banco Central. Em decisão expedida no dia 24 de novembro, a Justiça considerou informações apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) que apontam que a instituição “não apresenta crise de liquidez”.
A Operação Compliance Zero investiga compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. A Polícia Federal apontou que, embora o BRB descreva possuir processo formalmente estruturado para aquisição de carteiras – envolvendo filtros de elegibilidade, manifestações de diversas áreas, aprovação colegiada e registro na B3 –, “verifica-se que tais mecanismos não foram eficazes para detectar as irregularidades graves posteriormente apontadas pelo Banco Central, como a existência de créditos insubsistentes, sobreposição de CPFs, originação por empresa recém-constituída sem histórico (Tirreno) e ausência de comprovação documental dos contratos subjacentes”.
A PF indicou que o BRB aceitou a restituição de R$ 6,7 bilhões diretamente da Tirreno, a empresa que seria de fachada. A Tirreno assinou acordo para pagar o valor em seis meses – de junho a dezembro de 2025. Segundo as investigações, os R$ 6,7 bilhões pagos pelo Master à Tirreno pelas carteiras de crédito, antes de serem repassadas ao BRB, continuam disponíveis em conta vinculada, mas o BRB não exigiu a devolução imediata.





