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BRB diz que auditoria sobre o Master está em “fase final” para instalação
A auditoria prevê análise de evidências, auditoria forense, análise massiva de dados, além de revisão das áreas de Compliance, Riscos e Gove
atualizado
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Após o anúncio de Nelson Souza (foto em destaque) como novo presidente, o Banco de Brasília (BRB) informou, nesta segunda-feira (1º/12), que está em processo final da contratação de um escritório jurídico e um assessor técnico para a condução de investigação sobre os fatos relacionados ao Banco Master.
De acordo com o BRB, a auditoria, que deve ser iniciada nos próximos dias, prevê exame de evidências, auditoria forense, análise massiva de dados, além de revisão das áreas de Compliance, Riscos e Governança.
Em nota, a instituição reafirmou a solidez da instituição diante da recente cobertura sobre operações de cessão de carteiras.
Segundo o BRB, dos R$ 12,76 bilhões referentes à exposição bruta de carteiras com documentação fora do padrão exigido, mais de R$ 10 bilhões foram liquidados ou substituídos, e o restante não constitui exposição direta ao Banco Master.
“Todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, prática prevista em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central”, afirmou a nota.
Ainda de acordo com o BRB, a instituição atua como credor na liquidação extrajudicial e reforçou controles internos. “As carteiras atuais seguem padrão adequado, e o Banco permanece sólido e colaborando com as autoridades”, pontuou.
O BRB também informou que seu Conselho de Administração deliberou e aprovou, na última sexta-feira (28/11), que irá solicitar à Justiça que o banco atue como assistente de acusação no processo relacionado à operação com o Banco Master.
Investigações
A Operação Compliance Zero investiga compra de carteiras de créditos falsas do Banco Master pelo BRB, com uso de empresas de fachada, como a Tirreno.
A Polícia Federal apontou que, embora o BRB descreva possuir processo formalmente estruturado para aquisição de carteiras – envolvendo filtros de elegibilidade, manifestações de diversas áreas, aprovação colegiada e registro na B3 –, “verifica-se que tais mecanismos não foram eficazes para detectar as irregularidades graves posteriormente apontadas pelo Banco Central, como a existência de créditos insubsistentes, sobreposição de CPFs, originação por empresa recém-constituída sem histórico (Tirreno) e ausência de comprovação documental dos contratos subjacentes”.
A PF indicou que o BRB aceitou a restituição de R$ 6,7 bilhões diretamente da Tirreno, a empresa que seria de fachada. A Tirreno assinou acordo para pagar o valor em seis meses – de junho a dezembro de 2025. Segundo as investigações, os R$ 6,7 bilhões pagos pelo Master à Tirreno pelas carteiras de crédito, antes de serem repassadas ao BRB, continuam disponíveis em conta vinculada, mas o BRB não exigiu a devolução imediata.
“Assim sendo, não se justifica que o BRB ao invés de exigir a devolução imediata de seus 6,7 bilhões, pela compra de itens absolutamente insubsistentes, tenha optado por tranches mensais, o que só corrobora a hipótese criminal de que a vontade inicial do BRB sempre foi de emprestar dinheiro ao Banco Master”, afirmou a PF em documento enviado à Justiça Federal.
Inicialmente, a PF nomeou a operação como Ostap Bender, em referência ao personagem vigarista do romance O Bezerro de Ouro, dos autores soviéticos Ilya Ilf e Yevgeny Petrov. Posteriormente, o nome escolhido foi Compliance Zero.
