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Virginia: especialistas explicam riscos de descolorir os pelos
Após aparecer descolorindo os pelos durante passeio no Rio, influenciadora reacendeu debate sobre irritações, alergias e cuidados
atualizado
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Virginia Fonseca chamou atenção nas redes sociais ao aparecer descolorindo os pelos do corpo durante um passeio de iate no Rio de Janeiro. A cena rapidamente levantou dúvidas comuns entre quem costuma aderir ao procedimento estético, especialmente com a chegada do verão: afinal, descolorir os pelos faz mal à saúde?
Embora a descoloração corporal seja considerada um procedimento estético relativamente comum e geralmente seguro, especialistas alertam que ele não é totalmente isento de riscos, principalmente para pessoas com pele sensível, histórico de alergias ou doenças dermatológicas.
Segundo a alergista e imunologista Dra. Brianna Nicoletti, o principal ponto de atenção está nos produtos utilizados para clarear os pelos.
“Descolorir os pelos do corpo é um procedimento estético comum e, quando realizado corretamente, geralmente não causa problemas graves. No entanto, os produtos utilizados costumam conter substâncias químicas potencialmente irritantes, principalmente persulfatos e peróxido de hidrogênio, conhecido como água oxigenada”, explicou ela à coluna Fábia Oliveira.
A médica afirma que esses componentes podem irritar a pele, especialmente quando permanecem por muito tempo em contato com a região aplicada, são usados em concentrações elevadas ou entram em contato com uma pele mais sensível.
“A exposição ao sol, calor intenso e suor logo após o procedimento também pode aumentar o desconforto e a irritação cutânea”, acrescentou Brianna.
A dermatologista Camila Sampaio explica que o impacto costuma estar menos relacionado ao pelo e mais à pele.
“Em geral, descolorir os pelos não faz mal quando o procedimento é realizado corretamente e com produtos adequados. O problema costuma estar mais relacionado à pele do que aos pelos em si. Pessoas com pele sensível, dermatite atópica, rosácea ou histórico de alergias cutâneas podem apresentar reações mais intensas”, afirmou.
Por que pode irritar a pele?
O clareamento dos pelos acontece por uma reação química que modifica a melanina, pigmento responsável pela cor dos fios. Para isso, entram em ação substâncias oxidantes capazes de sensibilizar a barreira cutânea.
“Os produtos utilizados para descoloração possuem substâncias oxidantes que alteram a melanina dos pelos para clareá-los. Durante esse processo, podem provocar irritação da barreira cutânea, causando ardor, vermelhidão, coceira e sensação de queimadura, especialmente quando permanecem em contato com a pele por tempo prolongado”, explicou Camila Sampaio.
Pode causar alergia?
Segundo as especialistas, sim. Embora muitas pessoas apresentem apenas irritação leve, algumas podem desenvolver reações alérgicas ou inflamatórias mais importantes.
Brianna Nicoletti explica que uma das reações mais comuns é a dermatite de contato irritativa, causada pela ação agressiva dos produtos sobre a pele.
“É mais comum do que a alergia verdadeira e acontece quando o produto irrita diretamente a pele, causando vermelhidão, ardência, sensibilidade e, em alguns casos, descamação”, disse.
Outra possibilidade é a dermatite de contato alérgica, em que o organismo reage aos componentes da fórmula, especialmente aos persulfatos presentes em muitos pós descolorantes.
“Nesses casos, pode ocorrer coceira intensa, vermelhidão, inchaço, ardência e até pequenas bolhas na área exposta”, afirmou Camila Sampaio.
Em situações mais raras, a descoloração pode desencadear urticária de contato, marcada pelo aparecimento rápido de placas avermelhadas e elevadas acompanhadas de coceira.
Segundo Dra. Brianna Nicoletti, os riscos não se restringem à pele. “Os persulfatos presentes em alguns descolorantes também são reconhecidos como potenciais desencadeadores de sintomas respiratórios em indivíduos sensibilizados, podendo provocar espirros, coriza, tosse e, mais raramente, crises de asma durante a manipulação do produto”, explicou.
Fazer a descoloração em um iate ou ao ar livre muda alguma coisa?
O fato de Virginia Fonseca ter realizado o procedimento durante um passeio de iate não torna a prática necessariamente mais perigosa, mas especialistas apontam fatores que merecem atenção.
“O ambiente aberto, por si só, não é o problema. O que pode aumentar o desconforto é a exposição solar intensa, o calor e o suor sobre uma pele recém-sensibilizada, potencializando ardência e irritação”, explicou Dra. Brianna Nicoletti.
Outro ponto, segundo ela, é que, em caso de reação mais importante, o acesso imediato à assistência médica pode ser mais difícil em um ambiente afastado.
Como reduzir os riscos?
Para minimizar desconfortos e reações, dermatologistas recomendam testar o produto em uma pequena área da pele antes da aplicação completa, respeitar o tempo indicado pelo fabricante e evitar a aplicação sobre pele lesionada ou irritada.
“Após o procedimento, a hidratação da pele ajuda a restaurar a barreira cutânea e reduzir desconfortos. Se houver inchaço importante, bolhas, dor intensa ou sintomas persistentes, o ideal é procurar avaliação médica”, orientou Camila Sampaio.
Embora a maioria das pessoas consiga descolorir os pelos sem maiores intercorrências, especialistas reforçam que pessoas com histórico de alergias cutâneas, dermatite atópica, rosácea, pele muito sensível ou reações prévias a cosméticos devem ter atenção redobrada. Nesses casos, uma avaliação médica pode ajudar a identificar substâncias desencadeantes e orientar alternativas mais seguras.







