Fábia Oliveira

Cartas para Deolane reacendem debate sobre fascínio por pessoas presas

Especialistas explicam por que figuras públicas encarceradas podem despertar admiração, desejo e até relacionamentos afetivos de admiradores

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Instagram/Reprodução
Cartas para Deolane Bezerra reacendem debate sobre fascínio por pessoas presas - Metrópoles
1 de 1 Cartas para Deolane Bezerra reacendem debate sobre fascínio por pessoas presas - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

A notícia de que Deolane Bezerra tem recebido cartas de amor durante a prisão voltou a despertar a curiosidade do público sobre um fenômeno que parece contraditório à primeira vista: afinal, por que algumas pessoas desenvolvem interesse amoroso ou sexual por alguém que está atrás das grades?

A influenciadora e advogada, que já possuía uma legião de fãs antes das polêmicas envolvendo seu nome, teria recebido diversas mensagens de admiradores no período de encarceramento. O episódio levanta uma discussão que vai além da celebridade e toca aspectos psicológicos e comportamentais complexos.

Sem relação com o crime

Para a psicóloga Letícia de Oliveira, a atração por pessoas presas nem sempre está relacionada ao crime em si: “O fato de uma pessoa se apaixonar ou desenvolver admiração romântica por alguém que está preso não é tão raro quanto parece”, começou, antes de completar:

“Muitas vezes, as pessoas não se apaixonam pelo crime, mas pela imagem construída em torno daquela figura. No caso de personalidades famosas, existe um sentimento de proximidade emocional chamado relação parassocial, em que o indivíduo sente que conhece intimamente alguém com quem nunca teve contato direto”, explicou.

Cartas para Deolane reacendem debate sobre fascínio por pessoas presas - destaque galeria
11 imagens
Deolane Bezerra visitou a Fontana de Trevi, em Roma
Deolane Bezerra foi clicada durante viagem à Europa
Deolane Bezerra tirou fotos em ponto turístico
Deolane Bezerra se manifesta sobre prisão em carta: "Não sou bandida"
Deolane Bezerra
Veja fotos de Deolane em ponto turístico de Roma antes de ser presa
1 de 11

Veja fotos de Deolane em ponto turístico de Roma antes de ser presa

Foto cedida para a coluna Fábia Oliveira/Reprodução
Deolane Bezerra visitou a Fontana de Trevi, em Roma
2 de 11

Deolane Bezerra visitou a Fontana de Trevi, em Roma

Foto cedida para a coluna Fábia Oliveira/Reprodução
Deolane Bezerra foi clicada durante viagem à Europa
3 de 11

Deolane Bezerra foi clicada durante viagem à Europa

Foto cedida para a coluna Fábia Oliveira/Reprodução
Deolane Bezerra tirou fotos em ponto turístico
4 de 11

Deolane Bezerra tirou fotos em ponto turístico

Foto cedida para a coluna Fábia Oliveira/Reprodução
Deolane Bezerra se manifesta sobre prisão em carta: "Não sou bandida"
5 de 11

Deolane Bezerra se manifesta sobre prisão em carta: "Não sou bandida"

Instagram/Reprodução
Deolane Bezerra
6 de 11

Deolane Bezerra

Instagram/Reprodução
Deolane se emociona em audiência de custódia
7 de 11

Deolane se emociona em audiência de custódia

Reprodução/Imagem obtida pelo Metrópoles
Deolane Bezerra
8 de 11

Deolane Bezerra

Instagram/Reprodução
Deolane Bezerra
9 de 11

Deolane Bezerra

Reprodução/redes sociais.
Deolane Bezerra
10 de 11

Deolane Bezerra

Reprodução
Deolane Bezerra
11 de 11

Deolane Bezerra

Instagram/Reprodução

Fama influencia

Segundo a especialista, a fama desempenha um papel importante nesse processo. Pessoas muito expostas na mídia acabam despertando sentimentos de familiaridade que podem sobreviver mesmo em momentos de crise.

“Outro aspecto importante é a atração pelo status, pela fama ou pela notoriedade. Pessoas muito conhecidas costumam receber declarações amorosas mesmo em situações extremamente negativas, porque a exposição constante aumenta a sensação de familiaridade e interesse”, afirmou.

Desejo de acolhimento e proteção

Além da admiração construída ao longo do tempo, algumas pessoas desenvolvem sentimentos relacionados ao desejo de acolher ou proteger alguém que enfrenta dificuldades.

“Também há casos em que o sofrimento da pessoa presa desperta sentimentos de proteção, cuidado ou desejo de salvar o outro. Algumas pessoas enxergam alguém que está enfrentando dificuldades e passam a idealizar uma conexão afetiva”, relatou Letícia de Oliveira.

Fascínio histórico

O tema também chama a atenção de estudiosos da sexualidade humana. Para Heitor Werneck, pesquisador do comportamento, especialista em fetiches e um dos maiores estudiosos da sexualidade alternativa no Brasil, existe um fascínio histórico por figuras consideradas transgressoras.

“A figura do criminoso ou da pessoa presa ocupa um lugar simbólico muito poderoso no imaginário coletivo. Para algumas pessoas, existe uma atração pela ideia de rebeldia, desafio às regras e comportamento fora dos padrões sociais. Não necessariamente há interesse pelo crime, mas pela representação de poder, coragem ou liberdade que aquela pessoa parece transmitir”, pontuou.

Mais comum do que se pensa

Segundo Werneck, esse tipo de fascínio não é novo e aparece com frequência na cultura popular, em filmes, séries e até em correspondências enviadas a criminosos famosos ao redor do mundo.

“Existe uma parcela da população que sente atração por figuras consideradas perigosas ou inacessíveis. O proibido sempre exerceu forte impacto sobre o desejo humano. Em alguns casos, a distância física e emocional criada pela prisão também favorece processos de idealização, porque a pessoa admirada passa a existir mais na fantasia do que na realidade”, observou.

A atração por criminosos

Na psicologia, um dos fenômenos associados a esse comportamento é a hibristofilia, termo utilizado para descrever a atração por indivíduos que cometeram crimes. No entanto, especialistas ressaltam que o conceito não deve ser aplicado indiscriminadamente.

“Existe um fenômeno estudado chamado hibristofilia, caracterizado pela atração por pessoas que cometeram crimes. Porém, esse é um quadro específico e não explica a maioria dos casos”, esclareceu Letícia de Oliveira.

Para ela, reduzir todas as demonstrações de afeto dirigidas a pessoas presas a um transtorno psicológico seria um erro.

“Receber cartas de amor na prisão não significa necessariamente que essas pessoas aprovam crimes ou apresentam algum transtorno psicológico. Na maior parte das vezes, estamos falando de idealização, fascínio pela figura pública, necessidade de conexão emocional ou atração por alguém que já era admirado antes dos acontecimentos que levaram à prisão”, declarou.

Sexualidade e vínculos

O especialista em fetiches acrescentou, ainda, que a sexualidade e os vínculos afetivos são marcados por uma enorme diversidade de interesses, fantasias e motivações.

“O desejo humano raramente segue uma lógica simples. Muitas vezes, aquilo que parece estranho para algumas pessoas faz parte de construções emocionais complexas, influenciadas por experiências pessoais, referências culturais e fantasias individuais”, destacou.

Combinação de fatores

No caso de Deolane Bezerra, especialistas acreditam que a combinação entre fama, forte presença nas redes sociais e ampla cobertura midiática ajuda a explicar o volume de manifestações afetivas recebidas. Mais do que uma atração pelo encarceramento em si, o fenômeno parece refletir o impacto da celebridade sobre seus admiradores, mesmo em momentos de adversidade.

“O comportamento pode ser considerado incomum para algumas pessoas, mas está dentro da diversidade das experiências humanas e dos vínculos afetivos que os indivíduos desenvolvem”, concluiu Letícia de Oliveira.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações