
Fábia OliveiraColunas

Áudios expõem detalhes de esquema de MC Ryan SP, preso em operação
Cantor foi preso na última quarta-feira (15/4) durante a Operação Narco Fluxo, mesma ação que também levou à detenção de MC Poze do Rodo
atualizado
Compartilhar notícia

O Fantástico deste domingo (19/4) revelou novos detalhes da investigação da Polícia Federal que mira um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado à exploração de rifas clandestinas. Entre os materiais exibidos pelo programa estão áudios atribuídos a MC Ryan SP, preso na última quarta-feira (15/4), durante a Operação Narco Fluxo, mesma ação que também levou à detenção de MC Poze do Rodo.
Conversas de Ryan expostas
Em uma das gravações apresentadas, Ryan conversa com o contador Rodrigo Morgado sobre resultados financeiros ligados a plataformas de apostas.
“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do Tigrinho tava bom mesmo, eu tava arregaçando”, diz o funkeiro no áudio divulgado pela atração dominical.
Outro trecho mostra uma negociação comercial envolvendo divulgação de casa de apostas. “Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra vc divulgar a casa dele”, pergunta Morgado. Na sequência, Ryan responde: “Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”.
O #Fantástico mostrou áudios do esquema criminoso do MC Ryan que chegou a movimentar mais de R$ bilhão de reias divulgando o jogo do tigrinho e outros jogos de azar incentivando o vício nas pessoas.
“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do… pic.twitter.com/KQ8gm7Na1l
— Julio Freiress 🇧🇷 (@JFreiress_) April 20, 2026
Fama usada no esquema
Segundo a Polícia Federal, os artistas ocupavam papel relevante na engrenagem investigada. De acordo com os investigadores, contas bancárias ligadas aos nomes citados seriam utilizadas para fazer circular recursos obtidos de forma ilícita, misturando valores suspeitos a receitas declaradas com shows, contratos musicais e publicidade digital.
“Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos”, afirmou Roberto Costa da Silva, delegado da PF em São Paulo.
Ainda conforme a investigação, a exposição dos artistas nas redes sociais ajudaria a ampliar o fluxo financeiro dessas contas. “As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro nas contas que eles detêm, permitindo que outros recursos de origem ilícita também ingressem e gerem essa confusão”, declarou o delegado.
Prisões de Ryan e Poze
As apurações apontam que o grupo utilizava um sistema pulverizado de transações para dificultar o rastreamento do dinheiro. Um dos exemplos citados indica que R$ 5 milhões eram convertidos em cerca de 500 transferências de R$ 10 mil. Para a PF, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 1,6 bilhão.
No centro da estrutura, segundo os investigadores, estaria o contador Rodrigo Morgado, apontado como responsável por montar empresas, intermediar pagamentos, orientar sobre blindagem patrimonial e operar conversões financeiras, inclusive em criptomoedas. A PF também afirma que MC Ryan recebia milhões nesse formato.
A operação foi cumprida em oito estados e no Distrito Federal. Ryan foi preso em Bertioga, no litoral de São Paulo, enquanto Poze do Rodo foi detido no Rio de Janeiro. Nesta fase, foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões.
“Pelas contas dos investigados, passaram recursos de origem ilícitas de uma diversa gama de crimes, dentre os quais tráfico de drogas e crimes relacionados ao sistema financeiro, como apostas e jogos ilegais”, afirmou Roberto Costa da Silva. A investigação também cita possíveis ligações com PCC e CV.
Em nota, a defesa de Rodrigo Morgado informou que ele atua dentro dos limites legais da profissão e que provará inocência. As defesas de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo também negam envolvimento com atividades criminosas e sustentam que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita.











