Fábia Oliveira

Ator, poeta e músico: Lucas Queiroga fala dos desafios da carreira

No ar como Ciço, em A Nobreza do Amor, o artista conversou com a coluna, com exclusividade, e revelou como faz para conciliar tudo isso

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1 de 1 Ator, poeta e músico: Lucas Queiroga fala dos desafios da carreira - Metrópoles - Foto: Sérgio Baia/Divulgação

Quem vê Lucas Queiroga, mais conhecido como Lukete nas redes sociais, dando vida à Ciço, em A Nobreza do Amor, não imagina que, além de ator, ele é poeta e músico. Aos 35 anos, o artista concilia todas as suas facetas criativas e ainda se divide entre Rio de Janeiro e Paraíba, onde moram familiares e a namorada, Giselle.

Durante um bate-papo exclusivo com a coluna Fábia Oliveira, o ator contou como faz para se dedicar aos trabalhos e ainda falou sobre os desafios da vida profissional. Além disso, ele contou como faz para manter um relacionamento à distância.

Veja a entrevista completa

Você está de volta às novelas com A Nobreza do Amor. O que esse retorno representa para você após um período dedicado ao teatro e projetos autorais?
É um momento de muita celebração. Eu me alimentei do calor do público brasileiro com minha poesia e com os longas que fiz na Paraíba e no Rio Grande do Norte. E agora chego em A Nobreza do Amor com uma bagagem emocional gigante e renovada. Estar de volta a uma superprodução desse calibre me traz um entusiasmo sem tamanho. É um cenário de sonho, sim, mas acima de tudo, é onde eu sinto que minha arte transborda. Estou muito feliz e pronto para entregar tudo a este novo capítulo!

Seu personagem, Ciço, mistura humor, sensibilidade e certa ambiguidade. Como foi o processo de construção dele?
O Ciço me trouxe um grande desafio que foi aprender sanfona, um instrumento que eu nunca havia tocado, nunca tinha “vestido” uma sanfona e foi grandioso e assustador. Porém, um ator vive disso e ganha de seus personagens muitos presentes. Terminar uma novela aprendendo um novo instrumento, para um artista, é incrível. E daí, vamos buscando grandes referências, como Luiz Gonzaga, que além de cantar e tocar sanfona, contava “causos”, era um cara engraçado, espirituoso. O personagem de Ciço tem muito humor e sabedoria do nordestino. Eu vejo nele o Chicó, o João Grilo e foi com essas referências que eu fui preenchendo o Ciço, juntamente com aquilo que existe em mim, meu lado espirituoso, do improviso e, principalmente, o lado apaixonado pela linguagem do Nordeste, o sotaque, as gírias, isso tem sido tempero para Ciço.

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Lucas Queiroga posa com a mãe e o irmão
Lucas Queiroga está no ar como Ciço, em A Nobreza do Amor
Lucas Queiroga contou como concilia sua vida artística
Lucas Queiroga contou como lida com um namoro à distância
Lucas Queiroga está de volta às telinhas
Lucas Queiroga posa na TV Globo
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Lucas Queiroga está no ar como Ciço, em A Nobreza do Amor
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Lucas Queiroga está no ar como Ciço, em A Nobreza do Amor

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Lucas Queiroga contou como concilia sua vida artística
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Lucas Queiroga contou como concilia sua vida artística

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Lucas Queiroga contou como lida com um namoro à distância
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Lucas Queiroga contou como lida com um namoro à distância

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Lucas Queiroga posa sorridente para as redes sociais
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Tem outros projetos paralelos à novela ou a dedicação está sendo exclusiva?
Eu tenho um show de poesia A Rima Me Deu Rumo, mas a prioridade é a novela e estou totalmente focado nisso. Entre uma brecha e outra, apresentar o show. Deixá-lo vivo muito me preenche. Existe também uma palestra que eu falo sobre vocação e propósito, onde conto um pouco da minha experiência, da minha vida quando larguei a engenharia ambiental para poder ser artista, aos 28 anos. Falo isso provocando as pessoas a buscarem suas vocações, se entenderem, descobrirem o que nasceram para fazer, colocarem todas as suas energias em prol de suas vocações. Tenho músicas para lançar, um xote, com Vitória Rodrigues, minha amiga querida, alagoana e que também está na novela. Estou gravando um EP com Caramuru, meu parceiro pernambucano, e devo lançar mais algumas músicas até o final do ano. Também estou escrevendo uma peça com o meu amigo querido, César Ferrario, e estamos desenhando isso para depois da novela.

Depois do sucesso como repentista em Mar do Sertão e No Rancho Fundo, você sente que o público te associa muito a esse universo nordestino? Isso te limita ou te fortalece?
Sim, sinto que todo mundo me associa ao nordestino, mas não acho que limita, porque é o meu propósito. Acho que me fortalece. Tenho essa veia mais forte, mais pulsante. Meu show de poesia tem isso e minhas músicas, por mais que eu misture muito o contemporâneo e escute de tudo, como Rap e MPB, tem muita influência do repente, do forró. Sou muito eclético, mas tudo o que faço, tem o meu sotaque, a minha linguagem e eu gosto, pois é o meu natural. Então, eu quero que meu lado nordestino sempre se fortaleça.

Você transita entre atuação, música e poesia. Existe uma linguagem que você sente que te define mais hoje?
A música, a atuação e a poesia me completam. Carregarei isso sempre. Lógico que surgirão personagens que não estarão associados a isso e quero que isso aconteça, mas sempre estarei escrevendo poesia e fazendo música de forma independente. Então, eu carrego tudo ao mesmo tempo, isso faz parte de mim. Sou aberto ao criar arte e quero ser surpreendido por ela sempre.

Sua trajetória está bastante ligada à cultura nordestina e ao cordel. Qual é a responsabilidade de levar essa identidade para a TV aberta?
A responsabilidade de carregar essa bandeira do Nordeste, do cordel, da poesia, do repente, é muito importante. Em tempos onde tudo está se universalizando, as crianças estão com “sotaques de YouTube”, de rede social, perdendo suas origens pela linguagem e pela fala, quero, sim, ser parte desse fogo aceso. Eu sei da importância disso e sou feliz por fazer a minha parte.

Você acredita que o Brasil está valorizando mais a cultura popular nordestina atualmente?
Acho que o Brasil é encantado por tudo que é dele, mesmo que ainda falte uma denominação, uma valorização, um estudo, um entendimento para que seja divulgado e explorado de uma melhor forma. O Nordeste sempre foi forte na cultura, sempre esteve presente em todos os lugares e eu acho que sempre está mostrando quão interessante nós somos. Por isso, está sempre em alta.

Como foi voltar ao ritmo intenso de gravações de novela?
Muito bom estar novamente em uma superprodução, com muita gente boa no que faz. A Nobreza do Amor vem com um capricho muito grande, um diretor que preza pela qualidade do que faz, toda sua equipe também. A gente vê isso no figurino, na fotografia, na história que é escrita pelos autores. Então, é um privilégio muito grande poder viver este momento. Nesse hiato, eu fiz três filmes, estava em constante exercício, dentro de uma produção que é mais duradoura, são onze meses dentro desse trabalho que nos impõe ritmo e aprendizado. Foi muito bom mesmo e estou muito feliz com esta nova oportunidade.

Você se vê explorando streaming ou cinema com mais força nos próximos anos?
Me vejo, sim! Quero estar nos cinemas, em séries, em outros desafios. Me vejo nesses lugares, é um objetivo para mim e eu vou em busca disso. Tenho o desejo de explorar novos gêneros, como o infantil, filmes, séries, ação, drama, sitcom teatral, tipo Sai de Baixo e Vai Que Cola. Tenho interesse por tudo. Estou aberto e sigo em busca dessas novas histórias.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira até agora?
O início, quando larguei a engenharia ambiental, uma empresa, a segurança de um emprego fixo, mas que não pulsava no meu coração, não me sentia um colaborador do mundo e, aí, em abril de 2018, entrei no curso de teatro que mudou a minha vida. Nesse mesmo ano, fiz uma participação em Malhação, Vidas Brasileiras, fui chamado de poeta, comecei a abrir e encerrar eventos com poesia, comecei a fazer show de poesia, virei também mestre de cerimônia e encerrei o ano encenando um espetáculo que durou um ano e meio e que abriu outros caminhos. Agora eu sei o que eu nasci para fazer.

Qual a diferença do Lucas que estreou em Mar do Sertão para agora, tanto pessoal quanto profissionalmente? O que mudou?
O Lucas de hoje é mais protegido, mais seguro, mais experiente e entendido daquilo que está ao seu redor, seja no pessoal ou profissional. Com a esperança acesa e a sede de vitória e aprendizado para entender ainda mais o meu propósito – Por que estou aqui? O que a vida quer me entregar? O que a arte quer me entregar? O que elas duas querem de mim? Estou muito aceso
para tudo isso.

Se não fosse artista, que outra profissão você teria escolhido?
Acho que se eu não fosse artista, seria uma outra coisa que não tem o nome de artista, mas é artista também (risos). Que trabalhasse com criação, como o publicitário. Eu amo criar nome para as coisas, slogans, jingles, pensar em campanhas. Eu faço isso no meu dia a dia, no meu exercício da criatividade.

Como faz para conciliar a carreira de ator com a de cantor, já que ambas são muito intensas?
Eu dou uma prioridade para o ator, porque demanda mais uma pré-produção de organização. Mas, com a música e a poesia, eu me viro. Faço independente, preencho meu coração produzindo de forma independente mesmo. Hoje, estou em uma obra, mas se consigo conciliar com o lançamento de uma música ou um show de poesia, eu vou ajustando. Quando a novela acabar, eu intensifico a música, a poesia e o que mais for surgindo.

Algumas pessoas não sabem, mas você mantém um relacionamento à distância com a Giselle. Como vocês fazem para ultrapassar essa barreira da distância?
Ela mora na Paraíba, amo muito, é minha companheira. Temos uma relação onde sobressai a verdade. A gente se dá muito bem e se escolhe sempre. Para conciliar, sempre que posso, viajo à Paraíba, onde também posso reencontrar minha mãe, meu irmão – Pedrinho, que tem Síndrome de Down. Eu preciso fazer essas viagens para lá, onde pego essa energia da minha família, da minha namorada e vamos ajustando, eu vou e ela vem ao Rio.

E você quase não aparece com ela nas redes sociais. O objetivo é manter o relacionamento longe dos holofotes mesmo?
Ah, tem algumas postagens. É que não sou tão blogueirinho, tão influencer. Não apareço tanto, mostrando a cara, o dia a dia. Minhas postagens são referentes a trabalho mesmo. Não é proposital, é a minha forma de usar a rede social mesmo.

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