Fábia Oliveira

Ana Castela e o TDAH: como o transtorno pode impactar a vida

Cantora contou que passou a entender melhor sua história após o diagnóstico; profissionais explicam sintomas e tratamento

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1 de 1 Ana Castela e o TDAH: como o o transtorno pode impactar a vida - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

Ana Castela revelou, recentemente, que recebeu o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Ao compartilhar a descoberta com os fãs, a artista afirmou que compreender o transtorno ajudou a explicar diversas dificuldades que enfrentou ao longo da vida.

O relato gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu discussões sobre saúde mental e diagnóstico tardio do transtorno. Especialistas explicam que muitas pessoas convivem durante anos com sintomas sem saber que podem estar relacionados ao TDAH.

Ajuda da hipnose

Em conversa com a coluna, Felipe Gonzalez, especialista em hipnoterapia, explicou que abordagens complementares podem ajudar no manejo de alguns sintomas, especialmente relacionados à atenção e ao controle emocional.

“A hipnose pode atuar como um recurso complementar no acompanhamento de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção, principalmente quando o objetivo é trabalhar padrões de distração, impulsividade e dificuldade de foco”, contou, antes de completar:

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“Durante o processo hipnótico, o paciente entra em um estado profundo de concentração que permite acessar conteúdos do subconsciente e ressignificar comportamentos automáticos. Isso ajuda a desenvolver maior consciência sobre os próprios gatilhos de distração e fortalece habilidades como organização mental, disciplina e clareza para executar tarefas”, esclareceu.

Menos carga emocional

Segundo o hipnólogo, a técnica também pode contribuir para reduzir a sobrecarga emocional frequentemente associada ao transtorno.

Muitas pessoas com TDA relatam ansiedade, sensação de mente acelerada e dificuldade em manter atenção por períodos prolongados. A hipnose pode ajudar a treinar o cérebro para responder de forma mais equilibrada a esses estímulos, favorecendo estados de calma e foco”, pontuou.

E prosseguiu: “É importante reforçar que a hipnoterapia não substitui acompanhamento médico ou psicológico, mas pode ser integrada ao tratamento como uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento do autocontrole e da produtividade”, declarou.

Diagnóstico é um alívio

A psicóloga Anastácia Barbosa afirmou que receber o diagnóstico pode trazer alívio para muitos pacientes que passaram anos sem entender suas próprias dificuldades.

“É muito comum que adultos com TDA ou TDAH carreguem por muito tempo a sensação de que existe algo errado com eles. Muitos cresceram ouvindo que eram distraídos, desorganizados ou que não se esforçavam o suficiente”, opinou a especialista.

Em seguida, ela relatou: “Quando o diagnóstico acontece, ele ajuda a reorganizar a narrativa da própria vida. A pessoa percebe que várias experiências tinham uma explicação e passa a olhar para si mesma com mais compreensão”, pontuou.

O tratamento

Anastácia Barbosa destacou também que o acompanhamento psicológico ajuda o paciente a desenvolver ferramentas práticas para lidar com a rotina.

“No processo terapêutico, trabalhamos estratégias de organização, gestão do tempo, definição de prioridades e regulação emocional. O objetivo é ajudar a pessoa a compreender seu próprio funcionamento mental e criar métodos que tornem o cotidiano mais estruturado e menos frustrante”, analisou

Alteração em áreas do cérebro

A psiquiatra Jessica Martani revelou que o transtorno envolve alterações no funcionamento de áreas do cérebro relacionadas à atenção e ao controle de impulsos.

“O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade é uma condição neurobiológica que afeta principalmente a capacidade de manter foco, organizar tarefas e controlar impulsos”, esclareceu.

Logo depois, ela enumerou os sinais do transtorno: “Dependendo do caso, ele pode se manifestar com sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade. Em adultos, é comum que apareça como dificuldade de concentração, procrastinação, sensação constante de mente sobrecarregada e problemas para finalizar tarefas”, observou.

Descoberta tardia

Segundo a médica, muitas pessoas só descobrem o transtorno na fase adulta: “Muitos pacientes chegam ao consultório depois de anos lidando com dificuldades acadêmicas, profissionais ou de organização pessoal sem entender o motivo. O diagnóstico correto permite iniciar um tratamento adequado, que pode incluir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e mudanças na rotina que favoreçam concentração, planejamento e qualidade de vida”, opinou

O relato de Ana Castela reforça a importância de falar abertamente sobre saúde mental. Para especialistas, quanto maior o acesso à informação sobre o transtorno, maiores são as chances de que pessoas com sintomas procurem avaliação e recebam orientação adequada.

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