
Fábia OliveiraColunas

De Faustão a Ana Castela: famosos tiveram problemas nos rins
O Dia Mundial do Rim é celebrado no próximo dia 12 e médicos explicam por que exames simples podem evitar que a doença silenciosa avance
atualizado
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Quando Faustão anunciou que precisaria de um transplante renal, a palavra “rim” passou a frequentar conversas que, até então, se restringiam a consultórios médicos. Meses antes, Selena Gomez já havia emocionado fãs ao compartilhar a cicatriz do transplante realizado após complicações do lúpus.
A sucessão de relatos públicos ajudou a iluminar um problema que costuma se desenvolver longe dos holofotes. Tina Turner revelou ter enfrentado insuficiência renal e recebido um rim do marido. Stevie Wonder passou por transplante. Gilberto Gil tratou insuficiência renal crônica.
Recentemente, Ana Castela falou sobre crises intensas de cálculo renal. Assim como Maurício Mattar também se engajou em campanhas de conscientização. Casos distintos, idades diferentes, desfechos variados. Em comum, o fato de que a maioria das doenças renais avança de forma silenciosa.
Dia Mundial do Rim
O tema ganha ainda mais relevância em março, mês em que é comemorado o Dia Mundial do Rim, celebrado na segunda quinta-feira. Em 2026, a data será em 12 de março. A campanha global reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica, condição que afeta cerca de 10% da população mundial.
Para a nefrologista Andrea Pio de Abreu, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretora de Relações Institucionais da Sociedade Brasileira de Hipertensão, o principal obstáculo é justamente a ausência de sinais claros no início do quadro.
Problema silencioso
Em conversa com a coluna, a especialista explicou que, nas fases iniciais, o paciente dificilmente percebe alterações significativas no corpo, o que faz com que o diagnóstico dependa quase exclusivamente de exames laboratoriais de rotina.
“Na maioria das vezes, a doença renal crônica não causa dor nem sintomas específicos no começo. O paciente segue a vida normalmente e, quando surgem manifestações como inchaço, cansaço excessivo ou mudanças na urina, já pode haver uma perda importante da função renal. Por isso, os exames de rotina são fundamentais para detectar o problema antes que ele avance”, afirmou.
Detalhes dos testes
Segundo ela, a creatinina no sangue e a análise de proteína na urina são ferramentas simples, mas decisivas. Ela destacou, ainda, que esses exames permitem identificar alterações precoces e iniciar medidas de controle capazes de retardar ou até estabilizar a progressão da doença, evitando desfechos mais graves, como diálise ou transplante.
“São exames acessíveis, de baixo custo e que podem ser solicitados em um check-up anual. Detectar precocemente significa ganhar tempo para controlar fatores de risco, ajustar medicações e acompanhar a evolução de forma individualizada”, observou.
Comportamento de risco
A nefrologista Renata Asnis Schuchmann chamou atenção para o impacto dos hábitos cotidianos na saúde renal. Ela contou que o uso indiscriminado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios, é um fator frequentemente subestimado. Muitas pessoas recorrem a esses fármacos para dores comuns sem considerar que, a longo prazo, podem causar lesões renais, sobretudo em quem já apresenta hipertensão, diabetes ou histórico familiar da doença.
“O rim é um órgão muito sensível a alterações hemodinâmicas e ao efeito de determinadas medicações. O uso repetido e sem orientação pode comprometer a função renal de forma progressiva. Por isso, a automedicação deve ser evitada, principalmente por quem tem fatores de risco”, esclareceu.
Ela reforçou que a prevenção vai além de evitar remédios: envolve controle rigoroso da pressão arterial, manutenção da glicemia em níveis adequados, redução do consumo de sal, prática regular de atividade física e hidratação adequada. São medidas que, adotadas de forma contínua, preservam a função dos rins ao longo dos anos.
Outras atitudes perigosas
A médica Aniely D’Agostino ampliou a discussão ao relacionar saúde metabólica e risco renal. Ela relatou que obesidade, resistência à insulina e inflamação crônica criam um ambiente propício para o desenvolvimento de diabetes e hipertensão, principais causas da Doença Renal Crônica. Nesse contexto, o rim não adoece isoladamente, mas como consequência de um desequilíbrio sistêmico.
“Quando há excesso de peso, alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e estresse crônico, o organismo entra em um estado inflamatório persistente. Esse cenário favorece alterações metabólicas que, ao longo do tempo, impactam diretamente os rins. Cuidar da saúde renal é, necessariamente, cuidar do corpo como um todo”, enumerou.
Se as histórias de celebridades ajudam a romper o silêncio em torno do tema, é a prevenção que realmente muda estatísticas. O Dia Mundial do Rim funciona como um lembrete coletivo de que a maioria dos casos poderia ser identificada antes de chegar a estágios avançados. Entre um exame de rotina e outro, há uma decisão simples, mas poderosa: não esperar os sintomas aparecerem.











