
É o bicho!Colunas

Seu pet está em luto? Saiba identificar os riscos e como ajudá-lo
Apesar de não entenderem como os humanos, pets também podem viver a experiência do luto. Veterinário comenta sinais e como ajudá-los
atualizado
Compartilhar notícia

O luto é descrito por muitas pessoas como uma batalha diária. Assim como os seres humanos sofrem com a perda de um ente ou animal querido, os pets também podem ficar enlutados com a morte de outro amigo de quatro patas. Embora eles demonstrem alguns sinais, ainda há quem acredite que o comportamento é apenas uma interpretação humana.
É mesmo um luto?
Em entrevista à coluna, João Paulo Lacerda, docente de medicina veterinária, afirma que o processo enfrentado pelos animais não é apenas uma projeção humana. “Eles formam vínculos afetivos reais, e esses vínculos são mediados por hormônios, como a ocitocina.”
Assim, ao perderem um companheiro, os pets lidam com uma quebra de rotina, incluindo a emocional, o que leva a alterações comportamentais. “Eles não compreendem a morte como nós, mas sentem a ausência, percebem a mudança na dinâmica do ambiente e a quebra da previsibilidade. É um sofrimento legítimo.”
Sinais de sofrimento
O especialista destaca que os sinais de sofrimento estão associados a três eixos: comportamental, fisiológico e emocional.
Além disso, as reações podem variar, principalmente, entre cães e gatos. Apesar de não ser o maior fator, a raça também pode influenciar a intensidade.

Veja alguns sintomas:
Comportamental
- Isolamento, tristeza e apatia;
- Procura pelo animal falecido;
- Farejamento, vocalização, choros e uivos;
- Alterações na rotina do sono.
Fisiológico
- Diminuição ou aumento de apetite;
- Perda de peso;
- Menos interesse em atividades.

Emocional
- Ansiedade de separação;
- Quietude;
- Irritabilidade.
Como ajudar o amigo de quatro patas
A tutores que querem ajudar os peludos, o profissional detalha um passo a passo prático: manter uma rotina de alimentação, interação e passeios, aumentar os estímulos positivos, como brincadeiras, e promover enriquecimento ambiental, o que gera curiosidade e distração.
“Em alguns casos, também pode ser utilizado, como medida para reduzir a ansiedade de um possível reencontro, mostrar ao animal de forma criteriosa o corpo do companheiro que faleceu”, menciona o docente do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).

“A estimulação sensorial também pode ser utilizada com novos cheiros, introdução de brinquedos e inclusão de atividades na rotina do animal”, orienta. Ele ainda reforça que é fundamental se manter próximo do pet, além de jamais substituir imediatamente por outro animal e, muito menos, punir comportamentos derivados do luto.
Quando vira um risco
João Paulo alerta que alguns casos de sofrimento requerem atendimento veterinário. Sintomas como anorexia por mais de 48h, perda significativa de peso, letargia intensa, automutilação e comportamentos destrutivos são alguns dos sinais mais preocupantes. Também é importante observar queda de imunidade, já que isso pode levar a doenças recorrentes.

“Assim, torna-se necessária a intervenção comportamental, com a utilização de nutracêuticos ou psicofármacos, além do acompanhamento contínuo do veterinário. Isso é extremamente importante para garantir a adaptação e a qualidade de vida do pet”, conclui.










