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Entenda como a poluição das cidades pode impactar a vida dos pets
Barulho, poluição e falta de estímulos afetam o bem-estar dos animais e pets que vivem em centros urbanos, alerta veterinário
atualizado
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Viver em centros urbanos não impacta apenas os humanos. Para os animais, o cotidiano cercado por barulho, trânsito e poluição também pode gerar efeitos negativos e afetar diretamente o bem-estar físico e emocional. “Eles estão mais expostos ao estresse e ansiedade crônica por ficar muito tempo em casa, pelo barulho e até mesmo pela rotina do lar”, explica o veterinário Paulo César Tannus.
De acordo com o especialista, o estilo de vida nas cidades acaba limitando os estímulos e a movimentação dos animais. O resultado é um acúmul0 de energia e comportamentos que, muitas vezes, são confundidos com desobediência.
“Alguns apresentam problema como aumento de peso e até obesidade.” Além disso, doenças respiratórias e dermatológicas podem surgir devido à poeira nos ambientes fechados.
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Barulho, poluição e saúde
O impacto do barulho e da poluição no bem-estar dos animais é mais evidente do que se imagina. “O barulho constante que comumente escutamos no dia a dia ativa o sistema de alerta dos animais, levando a taquicardia, tremores e até mesmo a distúrbios de sono e apetite”, alerta o médico-veterinário.
Sons de trânsito, fogos de artifício e sirenes de emergência são gatilhos frequentes de estresse. Cães e gatos, com audição mais sensível que a humana, reagem de forma intensa a esses estímulos, o que pode gerar fobias e até agressividade.
A poluição, por sua vez, também interfere na saúde física dos pets. Segundo Paulo, esses resíduos afetam as vias respiratórias, o que aumenta problemas como alergias e tosse. Os olhos e a pele também podem ser prejudicados.

Sinais de alerta
As alterações de comportamento são comuns, especialmente em cães. O veterinário deixa um alerta para os sintomas mais comuns de ansiedade e estresse, confira:
- Latidos ou miados excessivos;
- Destruição de móveis, portas e brinquedos;
- Lambedura constante das patas;
- Perda de apetite ou comer em excesso;
- Isolamento ou hiperatividade.
Convivência com outros animais e natureza
Outro fator que influencia negativamente o bem-estar dos pets urbanos é a convivência com outros animais e com a natureza. “A falta de contato com outros animais pode causar medo, agressividade e reatividade. A falta de áreas verdes limita o exercício físico, o olfato e o enriquecimento ambiental”, explica Tannus.
O contato com gramados, cheiros e sons naturais estimula os sentidos e ajuda a aliviar o estresse acumulado. Animais que vivem com poucos estímulos tendem a desenvolver comportamentos compulsivos.

Os riscos de obesidade e problemas de mobilidade também aumentam em apartamentos e casas pequenas. “Menos espaço tende a diminuir a atividade, com isso há maior tendência ao ganho de peso. O piso liso também pode causar problemas articulares e escorregões”, afirma.
Estratégias para minimizar os impactos nos animais
Apesar dos desafios, é possível reduzir os efeitos negativos do ambiente urbano. O especialista recomenda passeios diários e brincadeiras interativas, como bolinhas e brinquedos de busca, além de enriquecimento ambiental com circuitos e petiscos escondidos.
A alimentação equilibrada, o controle de peso e consultas regulares também são fundamentais. Para momentos de calmaria, o uso de música ambiente, feromônios sintéticos ou refúgios tranquilos dentro de casa pode ser benéfico.

O veterinário acrescenta ainda que há diferenças no manejo de cães e gatos nos centros urbanos.
“Uma das principais diferenças é a necessidade de espaço maior do cão. A rotina de passeios externos com eles também é maior. Relacionado a barulhos, os cães têm maior sensibilidade e demonstram mais estresse que os gatos, que tendem a se esconder e permanecer em locais mais silenciosos”, conclui Tannus.
Com atenção e cuidados específicos, é possível garantir que pets urbanos tenham uma vida saudável, ativa e emocionalmente equilibrada, mesmo cercados pelo ritmo acelerado das cidades.










