Pé de galinha: petisco exige cuidados contra engasgos e infecção
Popularizado como petisco natural, o pé de galinha exige cuidados no preparo para evitar riscos à saúde dos cães

O pé de galinha tem ganhado enorme espaço como um petisco natural entre tutores que buscam agrados menos industrializados, mas o alimento acende um alerta vermelho devido aos perigos ocultos. Embora a busca por alternativas mais rústicas e saudáveis seja uma tendência forte no universo pet, a oferta inadequada desse tipo de cartilagem pode resultar em engasgos graves, fraturas dentárias e infecções bacterianas severas.
Para esclarecer os mitos e verdades por trás dessa prática, a médica veterinária, Luciana Lana Rigueira, faz um alerta importante e lembra que o conceito de “natural” não deve, sob hipótese alguma, ser confundido com “seguro”.

Benefícios e mitos do pé de galinha
O interesse acontece porque nessa parte da galinha existem tecidos conjuntivos, tendões e cartilagens, que são ricos em proteínas estruturais como o colágeno. Luciana pontua que “a glucosamina pode estar presente em tecidos cartilaginosos, mas não se deve assumir que a quantidade fornecida por um pé de galinha seja suficiente para produzir efeito terapêutico”.
A especialista explica que consumir esse alimento não gera resultados milagrosos imediatos para a saúde das articulações de cães idosos ou de grande porte. É fundamental saber diferenciar a simples presença de um nutriente no alimento de um efeito clínico devidamente comprovado pelo meio científico.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPara quem busca o pé de galinha como um petisco natural saudável, o valor está mais no entretenimento do que na medicina. “Consumir um alimento que contém colágeno ou glucosamina não significa, automaticamente, que o cão terá melhora da artrite ou regeneração da cartilagem”, explica Luciana. Os problemas articulares exigem tratamentos individualizados, controle de peso e fisioterapia.

Os perigos por trás da mastigação e do preparo
Outra crença comum é a de que a mastigação do pé de galinha funciona como uma espécie de “escova de dentes natural”. Luciana, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), discorda dessa comparação direta, apontando que, embora o atrito mecânico ocorra, ele não substitui a escovação regular e não elimina a placa bacteriana de forma confiável, além de carregar o risco de fraturas dentárias e lesões na boca.
O método de preparo também divide opiniões e é importante tomar cuidado com os perigos das versões cruas e cozidas. O cozimento altera a estrutura do alimento, tornando os ossos muito mais fáceis de quebrar, o que gera fragmentos pontiagudos e perigosos. Por outro lado, a carne crua carrega sérios riscos, tanto para o cão quanto para as pessoas que convivem com ele.
Por conta dessas ameaças à saúde, o pé de galinha desidratado comercialmente surge como a alternativa mais viável para quem deseja oferecer o petisco natural. Esse processo reduz os perigos de fragmentação perigosa e de contaminação bacteriana por patógenos comuns em aves, como a Salmonella e a Campylobacter.

Como introduzir o alimento de forma segura
Antes de oferecer o alimento, o tutor precisa adotar algumas medidas práticas de segurança. Uma recomendação é retirar as unhas antes de entregar o item ao animal, diminuindo a presença de estruturas pontiagudas desnecessárias, embora isso não anule totalmente a chance de um engasgo.
Além disso, o tamanho do petisco deve ser rigorosamente compatível com o porte do cão. Curiosamente, cães grandes correm riscos mais altos, já que a força em sua mandíbula pode quebrar e deglutir fragmentos muito rápido, gerando obstruções graves em partes do trato gastrointestinal. Animais pequenos também demandam atenção, pois podem se engasgar facilmente com pedaços grandes.
Por fim, a introdução do petisco natural na rotina deve ocorrer de forma gradual e moderada. Ele nunca deve substituir a alimentação principal balanceada, devendo ser limitado para não gerar excesso calórico ou desequilíbrio nutricional, principalmente devido à gordura presente na pele do frango. Caso o cão apresente diarreia, vômito ou constipação, o uso deve ser suspenso imediatamente.





