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Onça-pintada doa sangue em procedimento inédito no Brasil
Procedimento entre onças-pintadas de São Paulo e Botucatu salva animal de 18 anos e abre caminho para novos tratamentos na espécie
atualizado
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Em uma operação complexa que uniu especialistas da capital e do interior paulista, o Zoológico de São Paulo e a Unesp de Botucatu realizaram a primeira transfusão de sangue entre onças-pintadas registrada no Brasil. A doadora, Ruana, uma fêmea de quatro anos residente do Simba Safari, cedeu 800 ml de sangue para salvar Jack, um macho de 18 anos que luta contra uma doença renal crônica. O procedimento bem-sucedido marca um avanço histórico para a medicina de animais selvagens no país.
A coleta foi realizada no hospital veterinário do Zoo, e as bolsas de sangue seguiram sob cuidados rigorosos até o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (CEMPAS), em Botucatu, onde Jack recebeu o material.
Entenda
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Pioneirismo médico: é o primeiro relato de transfusão de sangue entre indivíduos desta espécie realizado em território brasileiro.
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Paciente em estado crítico: Jack, o receptor, tem 18 anos e enfrenta uma falência renal; o sangue de Ruana foi essencial para estabilizá-lo.
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Recuperação positiva: ambos os felinos reagiram bem; Ruana já retornou à rotina, enquanto Jack apresentou melhora na alimentação e postura.
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Legado científico: as instituições publicarão um relato de caso conjunto para guiar futuros atendimentos clínicos de onças-pintadas no país.

Mobilização pela vida de Jack
Jack ostenta uma trajetória extensa: nascido no Pará, passou por diversos estados antes de chegar ao Zoológico de Sorocaba e, finalmente, ser transferido para tratamento intensivo no CEMPAS. Aos 18 anos — idade avançada para a espécie —, o animal necessitava de suporte urgente para prosseguir com o tratamento de hemodiálise.
A doadora, Ruana, foi selecionada por seu excelente estado de saúde. Após a coleta, ela passou por um “check-up” completo, incluindo exames de imagem e odontológicos.
“A iniciativa reforça a importância da cooperação entre instituições na promoção da saúde e do bem-estar de animais sob cuidados humanos”, destacaram as equipes técnicas em nota.
Preservação e ciência
O procedimento foi além da emergência clínica. Durante a sedação de Ruana, os veterinários coletaram material genético que será incorporado ao studbook (livro de registros genealógicos) da espécie. Essa ferramenta é vital para o manejo populacional e para garantir a diversidade genética das onças-pintadas, que hoje são classificadas como “vulneráveis” na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção.
Atualmente, Jack segue sob monitoramento constante em Botucatu, onde deve iniciar sessões de hemodiálise para auxiliar a função renal.
Enquanto isso, o Zoo São Paulo mantém sua colaboração ativa com o Plano de Ação Nacional do ICMBio, focando em programas de reprodução para evitar que o maior felino das Américas desapareça de seu habitat natural.





