Mitos sobre saúde de gatos sem raça prejudicam a rotina dos pets
Especialista desmistifica crenças de que gatos vira-latas não adoecem e explica os cuidados essenciais para a espécie

No dia 31 de julho é comemorado o dia do Sem Raça Definida (SRD) e os veterinários alertam os tutores sobre a importância de desmistificar a saúde dos gatos sem raça definida para garantir uma vida longa e bem-estar dos pets. A falsa ideia de que o vira-lata é imune a doenças ou que pode comer qualquer alimento compromete a medicina preventiva e atrasa a busca por socorro veterinário.
A médica-veterinária Mayara Andrade esclarece a real necessidade de acompanhamento médico e nutrição adequada para a espécie.
Entenda
- Vira-latas não são imunes a doenças e a ausência de sintomas aparentes pode esconder problemas graves que exigem exames de rotina.
- Vacinas, castração, vermifugação e avaliações bucais periódicas devem ser mantidas para todos os gatos, independente da raça.
- Oferecer restos de comida ou rações ruins causa obesidade e compromete órgãos vitais. Nutrientes de qualidade garantem uma vida longa e saúde renal.
- Adotar um gatinho exige planejamento financeiro e adaptação do ambiente, pois o compromisso de cuidados dura mais de 15 anos.

Os mitos sobre a resistência física dos gatos sem raça definida
O levantamento PetCenso 2025, realizado pela Petlove com base em mais de 1,8 milhão de animais, revela que os sem raça definida representam 86% dos gatos nos lares do país. Apesar da maioria esmagadora, a proximidade do dia a dia faz com que muitos tutores acabem subestimando cuidados básicos.
A crença de que o vira-lata não adoece é um perigo, pois esconde sinais clínicos sutis, dificultando a descoberta precoce de enfermidades. A Veterinária explica que a rotina de exames deve ser a mesma para todos os felinos, reforçando que “os gatos sem raça definida têm exatamente as mesmas necessidades para uma vida longa, saudável e cheia de bem-estar que qualquer outro gato”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAções como vacinação, castração, vermifugação e avaliações bucais periódicas são indispensáveis para manter a saúde dos gatos em dia, independentemente da carga genética.

Alimentação equilibrada e hidratação para os gatos
Outro erro frequente na rotina de cuidados é oferecer restos de comida humana ou rações de baixa qualidade sob a justificativa de que o animal é mais forte. A ingestão de alimentos inadequados pode gerar quadros de obesidade e comprometer órgãos vitais.
Oferecer refeições completas com proteínas de alta qualidade e minerais protege o organismo a longo prazo. Mayara pontua que o investimento em nutrição reflete na velhice do pet.
“Ingredientes de qualidade garantem nutrientes essenciais em quantidades adequadas e, consequentemente, uma nutrição que contribui para manter músculos, pele, pelagem, sistema imunológico e trato urinário em boas condições, favorecendo um envelhecimento mais saudável”.
Além disso, a hidratação exige atenção com fontes de água e sachês úmidos espalhados pela casa, prevenindo problemas renais que são tão comuns em gatos.
Adoção responsável e planejamento para acolher gatos
Adotar um felino vira-lata ajuda a reduzir o abandono e a superlotação em abrigos, mas exige planejamento prévio sobre o orçamento e a estrutura da casa. Trata-se de um compromisso afetivo e financeiro que pode durar mais de 15 anos.
A decisão de adotar e levar um novo amigo para casa deve considerar o tempo disponível do tutor, a segurança das janelas e a capacidade de arcar com emergências médicas.
A médica-veterinária Mayara Andrade da Guabi Natural (MBRF Pet), ressalta a profundidade dessa troca ao afirmar que “a adoção precisa ser encarada como um compromisso de longo prazo. Em troca, poucos vínculos são tão sinceros quanto o de um gato que aprende a confiar em quem o acolheu”.













