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É o bicho!

Lavar aquário com sabão pode ser fatal: entenda o ecossistema ideal

Ignorar a ciclagem e lavar tudo com sabão são os erros mais comuns que destroem a biologia da água e matam os peixes do aquário

23/06/2026 02:00
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Ekaterina Demidova/Getty Images
Lavar aquário com sabão pode ser fatal: entenda o ecossistema ideal

O processo de ciclagem do nitrogênio, que consiste no tempo necessário para que bactérias benéficas habitem a água, é o fator mais negligenciado por iniciantes e a principal causa da morte de peixes em novos aquários, como explica a bióloga Rayssa Nayara.

A especialista faz um alerta sobre a importância de respeitar esse período de maturação biológica antes de introduzir qualquer espécie, destacando que colocar os animais logo no primeiro dia transforma o tanque em um ambiente altamente tóxico e fatal.

Embora a pressa em ver o aquário cheio seja um erro recorrente, o sucesso do ecossistema depende de três pilares: a escolha correta do tamanho do tanque, um sistema de filtragem eficiente e o estudo de compatibilidade entre as espécies, evitando misturas por impulso.

Muitos acreditam que aquários menores são mais fáceis de cuidar, mas a prática mostra o oposto, pois neles os parâmetros variam muito rápido. “Antes de colocar os peixes faça a ciclagem, dê tempo para o aquário ficar maduro para receber os peixes”, orienta a bióloga Rayssa Nayara. Lembrando que, após a estabilização desse ciclo, a manutenção se torna simples, exigindo apenas paciência e observação frequente do tutor.

A estrutura do aquário e o perigo do sabão

Para compreender a importância da ciclagem, é preciso entender que toda matéria orgânica, como fezes e restos de comida, libera amônia ao se decompor. A amônia é extremamente tóxica e as bactérias nitrificantes são importantes para transformar esse veneno em substâncias seguras. Para abrigar esses microrganismos, o filtro precisa de estruturas porosas chamadas mídias biológicas. “O período para ciclagem é de no mínimo 30 dias”, esclarece a profissional, alertando que quebrar esse tempo mata os peixes por intoxicação.

Quando o assunto é a manutenção do dia a dia, o maior erro dos aquaristas de primeira viagem é esvaziar o tanque para lavar tudo com água e sabão. Esse hábito destrói instantaneamente toda a biologia que o aquário levou um mês para construir.

A limpeza correta deve ser feita por meio da TPA (Troca Parcial de Água), retirando de 20% a 30% da água velha e completando com água nova. “Em hipótese nenhuma se retira a água toda do ambiente, pois as bactérias do ciclo do nitrogênio serão descartadas”, adverte Rayssa. No processo, limpa-se a bomba, troca-se a esponja (perlon) e escova-se o filtro apenas com água, sem produtos químicos.

Criar o ecossistema ideal depende de vários fatores

O planejamento da fauna exige entender que os peixes mudam de tamanho e têm exigências específicas de pH, temperatura e comportamento. O cascudo-abacaxi, por exemplo, costuma ser comprado filhote, mas pode ultrapassar os 30 cm, tornando-se inadequado para tanques pequenos.

Além disso, algumas espécies precisam viver em cardumes para evitar o estresse e a agressividade dentro do aquário. Para quem busca começar sem dores de cabeça, o especialista recomenda espécies do gênero Corydoras, peixes do grupo Tetra e o Otocinclus (limpa-vidro anão), que são fáceis de cuidar e amigáveis.

A superalimentação é uma das maiores causas de morte, já que os restos de comida que sobram e afundam desequilibram a água e estragam o processo de ciclagem.

Imagem colorida de peixe betta azul com cauda vermelha
Diferente da maioria dos peixes, o Betta possui um órgão chamado labirinto, que o permite respirar o ar atmosférico na superfície

Peixe Betta

Essa falta de informação sobre o espaço afeta diretamente o peixe Betta, um dos mais populares e que mais sofre com mitos. O costume de criá-los em recipientes minúsculos e sem filtro, as chamadas “beteiras”, é um erro grave impulsionado pelo baixo custo comercial. Na natureza, eles não vivem em locais apertados. Os bettas precisam de espaço para nadar, filtragem e alimentação equilibrada. Além disso, eles não precisam viver isolados para sempre.

“O comportamento agressivo ocorre principalmente entre indivíduos da mesma espécie, especialmente entre machos”, pontua o especialista. Os bettas podem viver em aquários comunitários, desde que os companheiros sejam escolhidos com cuidado.

Como possuem o órgão chamado labirinto para respirar ar atmosférico na superfície, eles têm nado lento e nadadeiras longas, sendo vulneráveis a peixes agitados que mordiscam. O ambiente ideal deve ter plantas e troncos para descanso e baixa correnteza, respeitando a biologia do animal.

Dicas de ouro

  1. Pesquise as espécies antes de comprar, pois nem todos podem viver juntos.
  2. Escolha um aquário de tamanho adequado.
  3. Antes de colocar os peixes faça a ciclagem, dê tempo para o aquário ficar maduro para receber os peixes. 
  4. O filtro é considerado um dos itens principais de um aquário. 
  5. Não dê alimento demais, tudo em excesso acaba mal. 
  6. Faça trocas parciais de água, a cada 15 dias. Isso é essencial para manter os parâmetros estáveis. 
  7. Não lave as mídias biológicas, pois pode matar as bactérias boas que ali vivem. 
  8. Evite comprar peixes somente pela aparência, pois muitos crescem demais e precisam de mais espaço
  9. Observe o aquário e seus peixes e veja se nada foge do padrão. Acima disso tenha paciência, aquarismo é um hobby que exige aprendizado.